Depressão & Ansiedade: Minha História.

Eu estou indo para os meus 22 anos, enfrento depressão e transtorno de ansiedade desde os meus 15 anos. Então eu tenho bastante bagagem para compartilhar com todos. Eu decidi atualizar o meu texto sobre minhas doenças. Porque desde que eu escrevi, eu aprendi muita coisa.

Antes de mais nada, eu peço a compreensão de todos. Eu não escrevi nada disso para soar bonito. É apenas a minha realidade, e como a maioria das realidades, ela não é boa. 


Trastorno de Ansiedade & Depressão Psico Maníaca.

Ter uma doença assim é extremamente pessoal, porque muitas pessoas não sabem lidar com o que tem, sintomas são diferentes em algumas ocasiões e assim como os medos que cada um desenvolve.

E só pra constar, não se brinca com doenças mentais. Sejam elas quais forem. Todo mundo fica triste e tem sentimentos ruins, mas isso não faz ninguém ter o direito de chamar de frescura ou de até querer chamar atenção com isso. É errado, coloquem isso na cabeça de vocês.  Eu estou sendo meio chata aqui porque eu sofro com pessoas me acusando de ambas as coisas, e não é bem assim que o trem da Ana anda e tenho CERTEZA que o de ninguém também.

Só pra avisar de novo, vai existir nesse post algumas coisas não muito agradáveis de se ler, se você não sabe lidar bem com isso, eu não recomendo. E ele vai ser longo. Se aventure comigo ou não, a escolha é toda sua de tentar me entender.


Tudo começou uma palavrinha chamada "ansiedade". Acho que todo mundo conhece aquela sensação de ter as mãos frias por causa daquela prova que está te aterrorizando, ou de não conseguir dormir por causa de algum evento que vai acontecer no dia seguinte. O que é uma coisa completamente normal. Todo mundo já sentiu um frio miserável na barriga até mesmo por causa do primeiro beijo que deu na vida.

Bom, comigo não foi assim. Eu sempre fui uma criança muito ansiosa. Eu descobri, por meio de tratamentos com uma psiquiatra que a tremedeira que eu sentia por dentro, a falta de ar e meu formigamento na boca nunca foram igual a ansiedade que meus amiguinhos tinham. Meu corpo sempre reagiu ao medo de uma forma estranha. Me lembro de passar noites a fio com minha mãe acordada do meu lado pelo simples fato de eu estar chorando compulsivamente por não querer ir a escola no outro dia. E eu não tinha bicho papão nenhum na escola para enfrentar, para ser honesta, o meu medo era ter que enfrentar a minha própria cabeça.

Eu devia ter uns 14 anos nessa época, eu sei que eu passei por diversos traumas, desde os mais pequenos como um amigo falar algo ruim pra mim e me deixar ou algo maior como decepção com o que eu chamo de pai. Eu sei que em um espaço de mais de quatro anos agora (acho que cinco, seis, sete), não conseguia falar com ninguém direito (eu era muito grossa por medo) e até mesmo passava dias deitada na cama ou chorando sem nem saber o porquê.

Foi no último ano do meu ensino médio que tudo desabou. Meus 18 anos, aquela idade que todo mundo sonha em ter, virou um pesadelo. Virou o meu maior pesadelo. Eu comecei a ter ataques de pânico, eu não conseguia sair de casa, não conseguia nem ir ao supermercado acompanhada, e quando ia, eu sempre tinha que manter minha mão no ombro da minha mãe, porque eu jurava que eu ia cair no chão ou algo catastrófico sem explicação nenhuma ia acontecer comigo. Minhas idas na escola e saídas da cama até mesmo para ir ao banheiro eram como estar dentro de um jogo de terror.

Eu suava frio e minha visão ficava turva. Não conseguia entrar mais em nenhum ônibus ou lugares com muitas pessoas. Tinha medo de ficar sozinha e por volta de mim tinha toda aquela tensão de sair da escola e fazer uma escolha para virar aquela tão sonhada 'gente grande'.

Meus pais nunca me forçaram a nada, eu sempre quis me forçar a tudo. Mas eu perdi o controle e acabei adoecendo mais ainda do que já estava. Nesse meio tempo de último ano de ensino médio, eu comecei a não conseguir comer nada, e quando comia, eu simplesmente vomitava. Ou tinha dias que eu simplesmente corria para o banheiro só com o pensamento de comer algo. Então eu desenvolvi o meu disturbio alimentar que ainda me acompanha de mãos dadas até hoje.

Absolutamente tudo eu colocava para fora, de formas tão grotescas que meu rosto chegava a ficar com sangue preso. O hospital era o lugar que eu mais frequentemente visitava, por não estar alimentada. Minha mãe chegou a querer me tirar completamente da escola para me internar, não foi uma coisa muito legal. Mas o hospital na época era a minha zona de conforto e eu, quando ainda me sinto mal nos dias de hoje, me sinto na vontade de tomar um soro na veia achando que minha vida vai se resolver com isso. 

Hoje o meu distúrbio alimentar ainda ataca em momentos que eu quase decido abraçar o vaso sanitário de vez. Porém a comida, mesmo sendo uma velha inimiga, algumas vezes é a única coisa que me acalma. Cheguei a pesar quase que 45kg, hoje eu estou na casa dos 58kg. Eu sempre me senti um lixo. Sendo magra ou gorda. Eu nunca estive satisfeita comigo mesma. Isso é um transtorno alimentar, ele não vem com um tamanho de manequim. Ele simplesmente acontece, não importa que tipo de pele e casca você tenha.

Eu me sentia e estava sozinha. Pelo fato disso tudo estar acontecendo comigo. Eu desenvolvi depressão. Não uma qualquer, eu cheguei a ser diagnosticada com psicose-maníaco depressiva. É a depressão que não é unipolar, a pessoa vive uma constante montanha-russa sem significado algum.

Você fica completamente agitada uma hora, inquieta, querendo fazer mil coisas porém ser força pra fazer nenhuma delas e se sente a pessoa mais inútil do mundo, e, no segundo seguinte, você vai para um estado de só querer dormir e não conseguir mais entender o porquê das pessoas viverem.

Minha mãe demorou muito tempo para me levar a um psiquiatra. Acho que ela esperava ou no fundo rezava sozinha que era uma fase e que ia passar. Mas é, não foi uma fase e eu fui diagnosticada. Já passei por momentos de tamanho desespero que até ligar para a linha de suicídio eu liguei. Aqui vai uma coisa que eu acho que muita gente não entende. Prestem atenção. Porque isso é de coração de alguém que já passou por isso.

A gente não sente vontade de morrer, a vontade vem sozinha, os pensamentos vem sozinhos. As coisas vão se acumulando de tal maneira que você se pega pensando que talvez a única maneira de se livrar dessa dor é morrer. Não é frescura, não é querer chamar atenção, não é ser egoísta com ninguém. São pensamentos suicidas, e se você os tem, por favor, procure ajuda. Eles não vão ir embora sozinhos.

Se você não consegue falar, pelo menos tente digitar. Existem sites como a CVV ORG que ajudam muito. Ou simplesmente ligue para o 141. (Eu ainda farei um texto só sobre isso para explicar melhor como a CVV funciona). E sim, eu já tentei me matar. Eu já tentei me suicidar, eu já tentei tirar minha própria vida. E eu posso garantir que quando despertamos esse gatilho, nossa cabeça sai completamente fora do controle. Não existe mundo racional quando isso acontece. 

Vai fazer quase seis anos de que eu estou sob controle de medicação. Por muito tempo eu me senti um lixo por precisar de remédios controlados para conseguir me incluir na "sociedade". Mas eu cheguei a conclusão de que eu não tenho para onde fugir. Eu já passei da mera fluoxetina que todo mundo conhece para remédios como Limbitrol, e meu maior aliado até hoje é o Clonazepam, o conhecido Rivotril de muitas piadas por ai.


Vocês vão quebrar muito a cara com as pessoas, porque muitas delas tem preconceito ou simplesmente acham que isso é realmente frescura. Não é. Nada disso é frescura, ninguém aqui pediu para ter problemas assim. 

Tente não se doar tanto para os outros, e pense que querendo ou não, a doença te faz ver o mundo com outros olhos. Talvez com um olhar mais triste, concordo, mas no meu caso, hoje, uma simples gargalhada de quem eu gosto já me deixa feliz por um dia inteiro.

Eu sei que é difícil se dar a chance de sair de casa e enfrentar situações que te tirem da sua zona de conforto, mas o faça. Entre nos lugares dos quais você tem medo! Tente seguir em frente por você mesmo. 

Eu nunca fiz terapia, eu já tentei, diversas vezes, mas não é foi isso que me ajudou. Eu aprendi sozinha. Hoje eu consigo entrar em ônibus, consigo entrar em lugares fechados e consigo respirar. Aprendi sozinha. Muitas vezes eu me peguei repetindo que não conseguia e que eu não tinha forças para isso. Mas eu tive. Dias ruins existem, e a maioria deles são ruins se você não fizer algo para mudar isso.

Se informe, leia muito sobre o que você tem. Eu não digo ficar horas no tumblr reblogando pessoas vazando sangue e com pensamentos ruins. NÃO. Eu já fui vítima dessa fase e não recomendo isso para ninguém. O mundo está lá fora. Você vai precisar enfrentar ele uma hora ou outra.

Chore. Chore muito. Não segure seus sentimentos, aprenda a controlá-los, mas nunca os renegue. São seus e eles precisam ser colocados para fora. Acredite em mim.

É normal não estar bem. É normal não se sentir bem. É normal querer entrar em um lugar e sair, é normal olhar para os outros e sentir inveja, é normal não se sentir bem consigo mesma, é normal querer ser outra pessoa. Mas você não é. Aprenda a ter amor, MUITO, mas MUITO amor próprio. Às vezes as pessoas me acham nojenta por eu ter uma boa quantidade dele, mas sem ele, eu garanto que sou um potinho de miséria. Não se deixe definir pela sua doença. Eu cheguei ao ponto de dar a mão a ela e dizer: "Ok, vamos lá!". 

É uma característica minha, assim como eu tenho cabelos cacheados e 1,53cm de altura. Não tem para onde fugir. Eu não acredito que exista uma cura ou que um dia isso simplesmente vai parar, porque ainda vai existir o medo, e às vezes o medo de ter os ataques de pânico consegue ser pior do que os próprios. Só tente aprender a lidar com ele. Não deixe sua vida parar, isso é um conselho que eu dou a mim mesma e a quem está lendo isso e tem alguma doença. 

O mais importante: NÃO SE ISOLE. Jamais! Tenha amigos. Saiba quebrar a cara, mas você vai ver que alguns vão realmente te entender ou tentar e querer ficar do seu lado pelo que você é. Não fique sozinho. Deixe que peguem sua mão e te levem para lugares que você diria não, vá. 

A gente não sabe o dia de amanhã, por que não tentar o dia de hoje?


E seja qual for o seu motivo, desde bullying, até se perder por causa de alguma coisa que te aconteceu pelo caminho que todos traçamos, se agarre em algo. Ouça música, leia livros, seja forte. Seja forte. Eu nunca imaginei que eu fosse chegar até aqui e eu estou aqui. Eu estou longe de ser a pessoa mais forte desse mundo, por isso, por favor, lembre-se que sua vida vale muito para alguém.

Eu estou vivendo nesse terror desde a minha adolescência e andando para os meus 22 anos ainda acompanhada por eles. No meio dessa estrada torta que a vida me deu, eu aprendi que tolerância é o necessário para continuar vivendo. Não dá para jogar tudo para o ar. Infelizmente. O show continua, a vida continua, nada para. 

Eu ainda tenho dias, e não é raramente, é muito constante, em que eu quero simplesmente cerrar as minhas próprias pernas fora quando eu sinto agonia do pânico vir. Mas eu aprendi que mesmo assim, eu preciso erguer a cabeça e continuar seguindo em frente. É a minha vida, são os meus sonhos, e não existe ninguém responsável por isso além de mim mesma.

E sim, a minha conclusão, depois de um texto inteiro, é que indo para os meus 22 anos e depois de anos de medicação e tratamento, eu ainda não me curei. Eu ainda choro, eu ainda tenho crises de pânico e eu ainda sinto vontade de morrer. Mas eu estou de pé. Eu posso cair, mas eu levanto de novo. Eu posso estar na beira do abismo, eu posso sentir ele me chamando, eu posso sentir vontade de me jogar, eu posso me imaginar caindo. Mas é isso. É um apenas. 

E será sempre assim, apenas um passo de distância de uma real loucura que pode ser fatal.

Intoxicada de tristeza.

Primeiro. Esse blog não vai ser mais para ajudar ou tentar falar algo para ninguém. É meu, minha descarga para todos os pesadelos que eu tenho, mesmo quando acordada.

flw? vlw.


Sabe quando você percebe que está sozinha? Quando a última pessoa com quem você poderia dividir suas lágrimas continua ali, sim, ela continua ali. Mas você prefere ter todas as lágrimas para você mesma. Porque de qualquer forma, elas são suas e você quem deve esperar que elas sequem.

Eu não consigo nem ao menos chorar mais no colo da minha mãe. Hoje eu passei o dia inteiro tentando engolir o meu choro. Não tem coisa pior do que engolir o choro, porque parece que dessa forma ele só fica mais forte quando você coloca para fora.

Por muito tempo eu ignorei minha imagem no espelho. Nunca estive bem o suficiente. Nem para mim e nem para ninguém. Ou eu ouvia um: "nossa, você está tão magra que parece doente" ou "nossa, você precisa emagrecer". Eu não deveria ligar, não é? Mas abrir todas as fotos e me deparar com meu próprio esqueleto me assusta. E ver como eu estou agora também me assusta. Talvez eu esteja normal, talvez não? Não. Não estou. Eu não consigo me aceitar.

(dá pra ver meus ossos? muita gente me questionou se eu realmente tinha ficado anoréxica porque eu não tinha "fotos". a diferença de tudo, é só que eu não queria mostrar.)
Esse é um grande fato da minha vida. Eu não consigo aceitar a minha própria pele. Tem dias que eu sinto tanto nojo de ser quem eu sou que eu sinto vontade de ficar abraçada na privada o dia inteiro, esperando, que depois de tanto vômito, eu consiga até mesmo colocar meu interior para fora. Me colocar do avesso. Tirar minha pele, arrancar meus olhos, deixar minha língua sangrar e tudo ir embora pelo ralo.

E sabe? Eu ando cansada demais para tentar fingir que eu estou forte. Hoje eu não estou. Hoje nada faz sentido.

Eu sei, EU SEI, eu sei o quanto eu deveria me orgulhar de mim mesma. Sabe? Eu consegui realizar um sonho, eu consegui trabalhar com algo que eu amo, eu consegui dar trabalho para pessoas que eu amo e eu deveria me orgulhar disso. Eu deveria estar feliz. Eu realmente deveria.


Mas no momento eu não consigo nem ver direito esse teclado. Eu estou tão estragada. Nem mesmo os remédios que o psiquiatra me passou fizeram algum bem. Gastei uma grana com todos para no final ter uma reação alérgica bizarra e ver bolhas brotarem na minha pele. E agora eu estou assim, vendo minha pele explodir enquanto meu interior queima porque eu estou sem medicação nenhuna.

Eu sinto falta do meu avô. Eu sinto falta da minha família. Eu sinto falta de ter um pai. Parece que esse ano eu me perco e me perco e acabo cada vez mais machucada.

Eu não culpo ninguém por ter se afastado de mim, para ser sincera. Eu realmente nunca fui boa amiga, eu dei o meu máximo, mas realmente, não foi o suficiente para nada. Eu estou muito fodida para qualquer coisa. E por fim, eu realmente prefiro ficar sozinha. Eu só sinto muito por ter feito lembranças. Porque elas me assombram bastante.

Eu só sinto falta de um pai. De verdade. Eu acho que qualquer apego a qualquer homem nessa vida foi jogado na vala, porque eu nem mesmo consigo mais me imaginar em qualquer situação com um. Eu demorei tanto tempo para desistir, para segurar essa corda, essa última ligação. E mesmo ainda segurando, foi o outro lado quem soltou e eu cai. E ainda estou caída. Provavelmente vou demorar muito tempo para me levantar.


Acho que pior que isso é não me sentir em casa na minha própria casa. Sou aquela menina que nem no próprio quarto consegue dormir. Eu deito no chão da sala, apago as luzes e deixo o fone de ouvido no máximo. O quanto antes eu dormir é lucro. Se for antes do sol nascer, é quase que um milagre.

Dessa vez eu não vejo solução. Passei boa parte tentando queimar minha dor em cima do elíptico. No final, eu só fiquei com dor. Eu preciso me colocar de pé, mas nem ver a luz do dia eu estou conseguindo direito para tentar alguma coisa.


Sabe aquela coisa de: "aqui vem o sentimento que você achou que tinha esquecido"? Eu estou exatamente nesse momento. Eu achei que muita coisa tinha ido embora.

Mas não. Tudo continuava aqui. Essa depressão de merda, essa ansiedade horrível e o pânico. Não tem saída.

Só o travesseiro... E a privada.

Como sobreviver aos ataques de ansiedade.

O post sobre "minha amiga tem depressão" teve bastante resposta na caixa de outros do meu Facebook. Então eu achei justo fazer um sobre ansiedade. Mas de uma forma mais direta. Na verdade, é mais para tentar ajudar com algumas dicas que eu coleciono comigo.

Essa semana no meio de uma conversa com uma amiga, eu acabei reparando que depois de anos, eu tenho vários "primeiros socorros" para ataques de pânico e para quando eu estou com minha ansiedade no pico. 

Uma nota sobre ansiedade e crises de pânico: Eu sei que cada pessoa tem sintomas diferentes. No meu caso, quando eu estou ansiosa, eu sinto que se eu estivesse levando agulhadas no meu corpo inteiro (um formigamento horrível) e nas minhas crises de pânico eu descontrolo a minha respiração e de tanto hiper ventilar eu termino tonta e colocando meu estômago para fora. Resumo bem nojento, eu sei!

Mas voltando para como sobreviver disso tudo, eu já aviso: não vai funcionar se você não tiver força de vontade, entendido? Compreendido? Sacou? Morou? Vem comigo então. 



Música x Ansiedade

Meu fone de ouvido basicamente se tornou uma parte do meu corpo durante esses últimos dois anos da minha vida. Eu já ouvi muita gente falar que as batidas do seu coração seguem o ritmo da música, e eu meio que acredito nisso. A música é uma forma muito forte de ajudar você a espantar pensamentos ruins. Além de fazer tudo com música quando eu estou acordada, eu também durmo com o volume alto nos meus ouvidos.

De começo foi difícil me acostumar, mas eu garanto que vai ajudar mais do que você imagina. Como todo mundo já sabe, eu vivo ouvindo música coreana. Mas ultimamente eu estou severamente apegada ao hiphop. Principalmente por causa das batidas gostosas que as músicas tem. Cada um com seu estilo, não importa, apenas encha seu celular de música e aperte o play.

Essa é a minha principal arma contra a ansiedade. Além de encher a memória do meu celular com música, eu também vivo do aplicativo 8tracks. Eu posso seguir as tags que eu quero, como "sleep", "bath", "study", "work"... E assim eu faço minha rotina.


Respiração x Ansiedade x Crise de Pânico

Uma coisa que todo mundo precisa aprender, seja se você tem uma amiga que sofra de síndrome do pânico ou se você mesmo sofre, sério, aprenda! A sua respiração é a chave para ter sanidade. Jamais perca o controle da sua respiração, é nesse ponto que a crise de pânico começa. Durante esses anos, eu aprendi alguns truques bobos, mas que funcionam bastante. 

A primeira coisa é: aprenda a sentar com calma, ou deitar no chão, e respire fundo e segure a respiração por cinco segundos antes de soltar. Eu demorei a aprender essa, porque quando a gente perde a cabeça, não existe paciência. Mas controlar a respiração com uma contagem na cabeça ajuda pra caramba!

A segunda coisa é: sabe algum livro pesado? ou vários? Quando você ver que você está descontrolando, deite de barriga para cima e coloque esses livros na sua barriga. Mas faça eles realmente serem pesados. Tire a enciclopédia do armário! Já com os livros na barriga, feche seus olhos e concentre em fazer ele subir e descer com sua respiração. Esse truque vale ouro.

A terceira coisa é: se você entrar na crise de pânico e não conseguir de forma nenhuma controlar sua respiração, tudo bem, acontece, sabe? Chora. Coloca tudo para fora. Mas aqui entra uma coisa que todo mundo já deve ter visto até em desenho animados! Respire dentro de um saco. A explicação já é científica... Respirar dentro do saco restaura de forma rápido o balando de oxigênio e dióxido de carbono. Então as sensações desagradáveis desaparecem. Simples, né?


Ansiedade x Crise de Pânico x Hipnose

Cara, eu vou admitir, nesses anos de bosta, eu nunca achei que fechar os olhos e escutar alguém me dando direções fosse ajudar em algo. Mas depois que eu decidi tentar, essa forma de acalmar minha cabeça REALMENTE funciona. 

Eu uso vários áudios e aplicativos que eu encontro. Eu sou daquelas que coleciona coisas absurdas que encontra no Google. Então caso vocês tenham um celular em mãos e queiram tentar, vale muito baixar o "Stop Panic and Anxiety" e o "Deep Sleep Hypnosis". Os dois são em inglês, mas provavelmente vocês vão encontrar algo em português se pesquisarem. 


Comportamento x Depressão x Agressividade

Não é bem uma dica... É mais um comentário mesmo para terminar isso aqui. 

Ter ansiedade é uma coisa extremamente complicada, porque ela faz você subir e descer com uma rapidez que não faz sentido. E realmente não faz, o seu corpo reage como se você tivesse em perigo, MAS VOCÊ NÃO ESTÁ. Ou seja, isso não é normal, é uma coisa que precisa de tratamento.

Se você ver uma jararaca na sua frente cuspindo veneno, daí tudo bem, sua adrenalina pode até explodir o seu cérebro. Agora, se não tiver nenhum motivo e você está sentindo algo complicado aí dentro, então, por favor, vamos conversar e tentar ajeitar isso.

Mais uma vez, minha vida tem vários quadros que são lindos, mas todos foram pintados nas minhas maiores crises de melancolia e ansiedade. São as minhas cicatrizes. Eu não tenho medo de mostrar para o mundo.

No final do dia, essa sou eu, esse é você, aquele é aquele. O que conta é você pelo menos deitar para dormir sem se sentir uma pessoa inútil. Eu sei que é difícil pra caralho, mas uma vez ou outra, até que é possível.

bye yall xx

[Viajando nos números]

Dos meus 14 até os meus 21.


[2007] E em como todo fim de ano, minha paciência está uma desgraça, meu humor nada bom, minha gentileza suja, minha força de vontade nula e o meu amor por algumas coisas ainda mais forte.

[2007] Pelo menos eu sei, que tudo passa. Querendo ou não, passa. Eu só não sou uma pessoa de muita paciência para sentar e esperar.

[2007] e quem se atreve a dizer
do quanto se paga com a pele
ao arriscar?

[2007] jurou que não ia mais
jurou nunca mais
mas descobriu, que jurar,
não adiantava.
fechou os olhos e se perdeu.

[2008] Saudade de sair correndo pra areia da praia, saudade de lutinhas alheias, saudade de vozes, saudade de sentimentos. Saudade de músicas, saudade de histórias perdidas em arquivos esquecidos. Saudade de viagens, saudade de épocas, saudade de desenhos, saudade de sonhos, saudade de promessas. Saudade de jogos, saudade de amores, saudade de madrugadas, saudade de implicâncias. Saudade da segurança, saudade da positividade, saudade do valor. Saudade do tio, saudade da tia, saudade das avós, saudade dele e dela. Saudade do colégio, saudade do respeito, saudade da consideração, saudade da inocência, saudade da cor. Saudades suas, saudades minhas... Eternas saudades.

[2008] - talvez eu me divirta vendo como as coisas mudam.
- por que talvez?

[2009] Estou meio doente, acho que doente de alma. Não sei como vim parar aqui e como deixei as pessoas subirem em cima de mim. Lá fora tá chovendo; e eu queria contar pra chuva como ela é inútil nesses tempos e que não espanta o calor que consome a pele da gente, que faz arder, queimar, quase faz ferida de dor. Pra minha doença não tem cura e não tem salvação, falo sobre ela porque assim me sinto melhor, falar alivia, faz a gente se sentir menos carente, mesmo que falemos a esmo, pro vento, sem retorno, só por solidão. Mas ainda assim estou meio doente, doente de gente, doente de tudo, doente de nada. Sem salvação, sem cura. É. E lá fora tá chovendo.

[2009] Mas é isso, é mais um ano, mais meses, mais semanas e mais dias. A mesma coisa de sempre, e vai ser sempre assim. E cara, essa repetição toda cansa. Não é pra menos que existe tanta gente que desiste de viver.

[2010] Ainda na minha cabeça, eu ando inventando tanta coisa sozinha. Penso, penso, penso. Não dá vontade de fazer mais absolutamente nada, só pensar. O que é ruim, mamãe sempre me disse que a gente não pode pensar muito, se não ficamos aprisionados ali, sabe? É aquela história de transformar nossos sonhos em fuga. Algo que eu realmente faço até demais.

[2011] Eu não sinto absolutamente nada, ou sinto tudo de uma vez só, sinto, não sinto, sinto, não sinto.

[2011] - Se você pudesse ser qualquer coisa, o que você gostaria de ser?
- Um livro... Com um final feliz.

[2012] Hoje eu comemoro um ano de que tenho depressão, de que minha vida virou do avesso e eu perdi tantas coisas das quais eu era composta. Mas eu também comemoro estar viva, comemoro conseguir sorrir de novo e continuar seguindo em frente.

[2013] Do que adianta acender as luzes
Se você não abre os seus olhos?

[2014] Eu queria que existisse um anestésico para sentimentos. Minha vida seria tão mais fácil.

Eu só queria espetar meu dedo em uma roca e dormir eternamente.


Muita coisa tem passado pela minha cabeça esses dias. Eu começo a escrever e sempre acabo desistindo. Aliás, isso é basicamente o que anda acontecendo comigo. Parece que eu perdi a vontade de tentar. Desisti.

Aquela coisa de "e o sentimento que você achou que tinha esquecido" realmente existe. Basicamente tudo o que aconteceu comigo no princípio, está voltando.

Minha vontade de fazer tudo virou zero. Estou andando, dormindo, comendo e vivendo no automático. Dessa vez não tenho colo de mãe, de família e muito menos de pai. Eu só tenho minha cama, que eu nem uso para dormir.

Meu pai conseguiu destruir o último pedaço de consideração que eu tinha com ele, levando junto a família e o emocional da minha mãe. Eu estou cada vez mais refém da minha própria casa.

Meu distúrbio alimentar deu uma volta de 360º. Eu não como um dia, como muito no outro e com esse ciclo bizarro eu acabei ganhando quase todo o peso que eu tinha perdido. Tudo bem que eu não tinha perdido de forma saudável, mas é algo que me incomoda. Eu não estou sabendo lidar com meu próprio corpo, mesmo depois de tudo que eu passei. E eu jurando que sair vomitando sem parar seria meu pior problema. Agora eu fui parar do outro lado da moeda do problema.

Meu mundo tá bem Mad. Quase que no sentido de que os melhores sonhos que eu ando tendo são os que eu morro. Porque de verdade, eu estou em uma maratona absurda de pesadelos. Não importa como eu durma, minha cabeça está tão perturbada que nem acordar dos pesadelos eu acordo sozinha. Meu despertador está regulando todos os meus suspiros de alívio.

Eu não estou conseguindo demonstrar ou sentir emoções direito. O que antes fazia de mim melosa demais, decidiu virar do avesso.

Tem tanta coisa me assustando desde que eu fiz 21 anos. Esse mês ainda tenho psiquiatra novo.

Eu não faço nem ideia do que falar com ele, para ser sincera. E olha que normalmente eu reclamo mas sempre sei organizar tudo que aconteceu. Mas ele não é a psiquiatra que cuidou de mim desde o início e que agora está em um lugar melhor. É só alguém diferente que vai interpretar minha história de outro jeito, sem os olhos que acompanharam todos os meus tropeços.

Então realmente parece que eu estou começando tudo de novo. Do zero. Aquela vontade de não viver, que eu achei que tivesse ido embora. Antes fosse medo. Mas não. É realmente uma vontade de só sentar no canto e respirar.

Meu coração adoeceu de novo. E mais uma vez, eu não sei o que fazer. Nem chorar eu consigo. Só fica essa raiva de mim mesma pairando no ar.

E realmente, o pior de qualquer situação é quando sua própria pele não conforta você. Acho que nem arrancando toda e sentindo a piore das dores iria chegar perto dessa sensação ruim instalada.

Deu erro de novo. 2015 vai ser um ano complicado.

Me encontre na madrugada.


Esses dias eu estou repleta de pensamentos ruins. Tipo aqueles biscoitos com recheio ruim. Eu sei que tudo muda, nada fica do jeito que está para sempre e todo esse blábláblá. Mas essa dor, essa dor aqui dentro, eu gostaria que ela não mudasse, sinceramente.

Mas o que você está falando?

Parece ser engraçado como algumas pessoas doentes não gostam de admitir que a condição delas mudou. Digo, pessoas com doenças mentais.

A gente se acostuma com a dor. A gente aprende a tolerar e conviver com ela. E quando ela muda, primeiro, nós não sabemos se foi para bom ou ruim. Segundo, o cansaço mental de ter que se acostumar com uma situação nova é péssimo.

Ser doente cansa, ter uma doença mental cansa demais. Pelo menos, seja quem estiver olhando por mim, parece saber equilibrar a situação. Porque ultimamente nem tempo direito para faculdade eu tenho. Muito obrigada, trabalho! (hearts from heart)

Eu só queria me sentir bem, pelo menos um pouquinho, aqui dentro. Não aguento mais ficar vendo provocações alheias. Ainda bem que dessa vez não é nem armadura que eu estou usando, é minha carne mesmo. Só que ela já está tão danificada que eu nem sinto mais nada nesse quesito, acho que já me acostumei com babaquice. 

É só mais uma madrugada aonde eu me encontro e me perco ao mesmo tempo. Fazer das minhas desgraças um hobby está quase ficando legal.

Como é ter uma amiga com depressão?

- Eu vi ela olhar para o chão, não sabia se havia algo 
interessante nele ou se ela estava apenas tentando esconder algo no seu olhar.


Ter uma amizade com alguém com depressão. Conosco. É extremamente diferente de qualquer outra amizade. De verdade. Eu posso dizer algumas diferenças. Eu vou ser sincera. Aliás, por que eu falaria alguma mentira? Enfim.

Com minhas amizades, eu sou a Ana que quer deixar todo mundo feliz. Acho que isso é uma característica de (quase) todo mundo com depressão, você sorri mais que as outras pessoas, você tenta animar as outras pessoas e fazer da tempestade delas um lugar para contar histórias de amor de baixo de um guarda-chuva imaginário. 

- Os problemas dos outros viram histórias de amor aos nossos olhos.


Somos essas mentiras ambulantes. A gente se perde na gente mesmo umas 50 vezes por dia, sem brincadeira nenhuma. A gente diz que está tudo bem, a gente garante com fervor. Isso só volta no final do dia, no travesseiro, quando a gente repara que bosta que somos por mentir tanto. Por não conseguir nem ao menos ser verdadeiros com quem amamos. Mas não é por maldade. A gente só aprendeu que esconder o que a gente sente é melhor.

E nós amamos. De um jeito diferente. Mas a gente ama. As vezes a gente realmente luta mais com tudo. É complicado sair da cama, responder uma mensagem de texto ou tirar o olhar do chão. Mas a gente ainda ama, e ama muito.

Ser amigo de alguém com depressão é ter uma borboleta presa dentro de um pote. Ela é bonita, mas não sabe que é, sabe voar, mas não consegue, precisa de ar, mas não tem o suficiente. É meio que segurar algo que está esperando pela morte. Mas ainda assim quer tentar viver.

Nós somos complicados. Somos não complicados. Aliás, depende. Se você quer uma amizade verdadeira, você pode ter certeza de que quando somos amigos, nós somos. A gente não brinca com o sentimento dos outros, porque já brincaram o suficiente com os nossos.

Ser amigo de alguém com depressão é ter que ser no mínimo um pouco compreensivo. A hora passa diferente para a gente. Os dias. O sol nasce e se põe diferente. Mas a gente ainda sabe admirar tudo isso.

Pode dar um pouco de medo de ser amigo de alguém assim. Mas eu prometo que a gente não pede muito. Para falar a verdade, na maioria das vezes a gente não pede nada. Talvez seja por isso que muitos de nós não tem amizades.

A gente espera as pessoas notarem. A gente não sabe pedir por nada. Nem por um pingo de atenção. E a gente muitas vezes acredita que a amizade uma hora vai acabar. É complicado. Eu tenho que admitir. Mas eu não sei que tipo de relacionamento não é complicado nesse mundo.

- Talvez no final do dia ser amigo de alguém com depressão seja o mesmo que ser amigo de alguém que não tem depressão. Apenas saber compreender e respeitar. E mais que tudo: amar.

Eu me chamo Ana, mas poderia ser: yeah, I'm hella screwed up, sorry.


Como é ser uma Ana nesse momento?

São quatro horas da manhã do dia 27 de agosto. Eu acabei de misturar dois chás e estou sentada no sofá da sala. Estava me perguntando sobre meus próprios demônios.

Eu finalmente consegui marcar um psiquiatra novo. Desde que a minha morreu, eu não faço ideia do que falar com um novo. Eu não acho que eu tenha piorado. Mas colocando em palavras, é como se os machucados antigos tivessem fechado, só que ao mesmo tempo, novos apareceram. Vou quebrar muito a minha cabeça ainda sem saber o que falar.

Eu estou no meu quarto período na faculdade. Eu dividi esse período no meio, aliás. Eu quero experimentar outras coisas com um pouco de tempo livre. Como tentar voltar a ler, talvez.

Trabalhando com algo que eu tinha sonhado em trabalhar. Não é qualquer dia que você dá um ponta pé e consegue trabalhar para o seu site favorito de dramas, né? Eu ainda tenho bastante coisa para aprender, e isso é certo, eu realmente quero aprender tudo que eu puder.

O relacionamento com meu pai passou do zero para o negativo. Assim como a família. Eu só tenho minha mãe. E ainda estou preocupada com a saúde dela, ela não anda muito bem e isso me perturba demais.


No geral, acho que eu sou uma guria normal de 21 anos (ou não). Estudando, trabalhando, seguindo os próprios sonhos, se sentindo perdida, tropeçando nos próprios pés uma vez ou outra, rindo, chorando e querendo dormir bastante. Minha vaidade se escondeu na última gaveta no armário. Espero que ela volte daqui uns anos.

Eu quero meus amigos, quero ser capaz de fazer os outros felizes, quero continuar sendo besta do jeito que eu sou: a menina que faz promessas sempre que vê o sol nascer.

Algumas coisas podem mudar, o destino pode me dar uma rasteira aqui ou ali, mas para quem estava desesperada, em prantos, antes de ir para o último ano do ensino médio, com um relacionamento horrível e achando que não ia ter futuro para nada, eu até que cheguei longe demais.

Acho que ser uma Ana tem dessas. A vida surpreende você. Sempre.

Meus piores dias.


Meus piores dias. x

Quem já passou por uma depressão sabe o que é ter um pior dia. Não é igual a um dia indiferente ou aquele "mais um dia". É aquele dia que você olha para suas próprias mãos e se pergunta: "por quê?". Talvez não o porquê da doença. Essa pergunta desaparece no meio do tempo e do cansaço e abre espaço para outras perguntas.

Eu, quando estou no meu "eu de sempre", até me incomodo com certas coisas, mas eu sei lidar bem com a falta de sentimentos e com a ansiedade.

Mas nos meus piores dias, como hoje, eu apenas me olho no espelho e sinto uma vontade absurda de vomitar. Vomitar e vomitar. Colocar tudo o que eu tenho e não tenho para fora. Vomitar essa alma estragada e os sentimentos que passaram da validade. Vomitar até ficar sem forças e chorar muito depois.

Daí eu paro e penso: "Ah, não. Vai dar trabalho demais fazer isso tudo. Minha mãe vai ficar preocupada, eu vou ter que aguentar meu pai me chamar com todos os adjetivos ruins do ABCdário que ele aprendeu com a família dele e eu não vou conseguir trabalhar." Então eu me encho de remédios e deito para dormir. Eu já não sinto felicidade nesse corpo, nesse barulho constante da música tocando pelo meu celular e nem vontade de levantar no dia seguinte.

Meus piores dias acontecem quando eu sinto que eu estou sozinha com a minha doença, em uma valsa eterna em cima de cacos de vidro. Apenas eu e ela. E ela me olha nos olhos sem hesitar, e ainda me sorri.

Meus piores dias acontecem quando nem ao menos chorar de desespero eu posso porque ao em vez de ajuda, eu só vou receber pedras de volta. Essa casa anda me adoecendo de pouco em pouco.

É a sensação de nadar, nadar, nadar e nunca ver a praia. E ainda saber que todos os outros já deixaram você para trás. É mais fácil olhar para o próprio umbigo? (Vejo tanta gente dizer que eu faço isso, chega ser cômico.) Minha vida seria uma dádiva se eu tivesse esse privilégio. Com vontade ou sem, eu tenho que levantar e viver.

Essa semana me destruiu. Esses últimos dias eu só quis dormir e hoje finalmente eu cheguei naquele dia amargo. O pior dia de todos. Um dos meus piores dias.

Eu decidi NÃO esperar.

Esse post pode causar desconforto para algumas pessoas. Leia apenas se realmente souber lidar com textos assim.


Meu Deus, o que você tá falando, Ana? 

Eu estou falando que eu decidi NÃO esperar. Eu vejo muitas pessoas publicarem no Facebook sobre a escolha sexual delas, sobre o "eu decidi esperar". Então eu resolvi publicar sobre a minha também, porque ao contrário de várias pessoas, eu sei que muita gente, assim como eu, decidiu NÃO esperar.

Mas por que eu decidi não esperar? Porque minha vida é para ontem, eu ando atrasada, eu gosto de sentir prazer, eu gosto de saber o que meu corpo pode me dar. Porque sabe-se lá o que vai acontecer na próxima vida, será que eu vou ter um corpo assim? Eu acho melhor aproveitar. E quando eu digo aproveitar, eu digo: dar quantas vezes eu quiser, para quem eu quiser. 

Seja homem, mulher, gay, azul ou abóbora. O meu corpo é a minha maior dádiva. É o que eu tenho até cair dura em um caixão, então eu faço dele o meu templo.

Então eu faço sexo sim, e aliás, eu me masturbo também. E sim, acho que todo mundo deveria. Eu descobri o que o meu próprio corpo pode me proporcionar bem cedo. Não me arrependo nenhum pouco. E por que eu deveria?

E deixa eu falar? Isso não me faz melhor ou pior que ninguém (talvez mais satisfeita?). Decidiram me dar esse corpo e eu decidi usar.

Não tem absolutamente nada de errado em descobrir o que você tem entre as pernas. Me estressa gente que nem ao menos sabe o que é o quê. Gente, vamos viver. Sabe-se lá se na próxima galáxia eu vou ser provida de um corpo e de um nervo igual ao que eu tenho agora. Eu não quero esperar. Bato palmas para quem quer, mas eu não quero. Minha vida é agora.

E o que isso tem com uma depressão? Muita coisa. Para ser sincera, o alívio é melhor do que qualquer remédio. Meu corpo relaxa, meu coração bate, eu fico zonza de sono e isso ainda pode ser considerado um ato de amor próprio. Uau!


Sinceramente? Se eu for para o ~inferno~ vai ser pelo tanto de foda-se que eu desejo para os outros. E não por bater o pé no chão e falar: "Oi, eu me toco, você deveria se tocar também". (y)

Tem tanta gente que diz que resolveu esperar e gosta de espalhar isso por aí. Pois é. Eu não. Decidi não esperar por nada. Eu estou é atrasada demais para viver. Descobri cedo que a vida não espera, então eu vou é tentar feliz com tudo que eu puder. Até porque satisfação e felicidade são duas coisas que eu quase não sinto.

Medo do escuro.


Viver me dá medo.

Mesmo na luz do dia, meus passos são dados como se eu estivesse no escuro. É só assim comigo? Ou será que o improvável e o inesperado que é o próximo momento também assusta outras pessoas?

Além de estar no escuro, ultimamente eu estava andando sozinha. Caindo e levantando sozinha.

Eu tive medo de chorar ultimamente. Eu fingia estar forte. Mas era medo de não ser ouvida. A tempestade foi grande e eu acabei não chorando, mas gritando com todas as forças. Não é que me levantaram do chão? E ainda sorriram, me dizendo: Está tudo bem. A gente ama você mesmo assim.

Talvez eu realmente ainda vá viver com muito medo. No escuro. No meu escuro. Com uma família que pensa que eu sou um monstro, com um pai que não sinta muita coisa por mim, com o relógio errado e a esperança no zero.

Mas eu vou continuar levantando toda vez que eu cair. Minha depressão ainda habita meu corpo, mas ela não sou eu. Minha ansiedade ainda me atrapalha de viver, mas ela não supera minha força de vontade. Meus inúmeros ataques de pânico podem me deixar sem ar por vários minutos, mas toda vez que eu recupero o fôlego, eu penso comigo mesma: "Ah, é verdade. Se eu consigo sentir essa dor, significa que eu estou viva. E se eu posso sentir esse tanto de dor, talvez eu possa um dia sentir esse tanto de alegria!"


A vida nos dá a oportunidade de ligar a luz. De respirar fundo. De seguir em frente. Talvez eu ainda seja nova demais para me lembrar disso todos os dias, mas quando eu consigo olhar no espelho e pensar assim, todos os tombos viram apenas momentos que eu precisava de um tempo para descansar que eu não tinha me cedido por querer ser forte demais.

Minhas características são fortes demais. Assim como a vida. A gente meio que não combina, mas estamos dando o nosso melhor. A raiva de ontem que me fazia querer ir embora para sempre, hoje me motiva a continuar, ir em frente.

Eu tenho muito medo de viver. Talvez eu não supere isso tão cedo, mas eu não vou parar por isso. Eu já tenho coisas ruins demais. Se eu me privar pelo medo, talvez eu perca algo bom. E eu não vou deixar isso acontecer.

Queria querer.


Queria pintar um retrato seu, mas meus dedos trêmulos não deixaram. Queria visitar aquele lugar especial, mas o relógio teve mais pressa e eu perdi a viagem. Queria seguir pegadas na areia, mas durante o caminho elas foram apagas pelas ondas do mar. Queria ouvir os passarinhos cantando no céu azul, mas a chuva espantou todos. Queria ser outra pessoa, mas acordei e era a mesma no espelho.

Fiquei querendo o querer e não consegui.

Coloquei os dedos trêmulos dentro dos bolsos da calça, talvez fosse melhor ter só sua lembrança. Joguei o relógio fora, ele só servia para ditar minha vida, não queria mais. Esqueci as pegadas e decidi fazer as minhas próprias. Eu também podia, não podia? Eu não ouvi os passarinhos, mas o barulho da chuva acalmou meu coração solto e desesperado. E o espelho? Eu apenas tive que entender que ia ser assim. Eu era assim. Ser outro alguém não ia adiantar no dia de amanhã.

Suspirei.

Só um minuto, disseram.


Mas o que era mais um minuto dentro dessa agonia intensa que não me deixa pensar? 60 segundos. Eu continuava esperando pelo nascer do sol todos os dias na minha janela, esperando meu dia acabar, enquanto os outros começavam. 50 Segundos. Quantos erros eu tinha feito até conseguir acertar o alvo certo? E qual era mesmo o alvo? Nem isso mesmo eu conseguia me lembrar mais, já fazia muito tempo. 40 segundos. Tomar decisões baseadas em emoções são quase que como tomar não baseadas, ou você é visto como muito sensível ou indiferente. Qual a diferença? 30 segundos. O caroço no meu pescoço continuava crescendo e as lágrimas rolando, cada vez mais. Não fazia parte de mim querer ser vista daquela forma. 20 segundos. Meu coração ainda bate no meu peito todos os dias atrás de uma alegria, mesmo que infundada, mesmo que eu não consiga encontrar, ele ainda bate, procurando sem fim por algo para se apegar. 10 segundos. O final, aquele momento que a gente encerra uma discussão, cerrando os olhos, sentindo o amargo na boca e o arrependimento de ter começado qualquer coisa sem razão. Mais nenhum segundo. 

Acontece que o tempo é uma coisa muito mesquinha, ele não espera por você e nem por ninguém, seus sentimentos são misturados de formas absurdas em apenas um minuto, assim como os seus pensamentos. O cansaço não faz o tempo diminuir ou parar. O amor não faz o tempo aumentar. A tristeza não faz o tempo ser mais rápido. Nada muda o tempo. O tempo é imutável. Eu também gostaria de ser imutável, mas todos os dias que eu acordo, eu encontro uma pessoa diferente me esperando.

É isso que um minuto significa?

Quando eu desaprendi a gostar de mim - Anorexia


Eu literalmente desaprendi o que é ter um corpo "normal" dentro desses últimos quatro anos. Eu acho que a anorexia chega e até pode ir embora, mas algo sempre fica na nossa cabeça. E a minha perdeu a noção de bastante coisa. Aliás, o certo na minha cabeça ainda é passar fome.

Até quando eu como demais, a primeira coisa que sempre passa pela minha cabeça é colocar para forma, mesmo que seja forçado e em seguida ainda tomar mais laxantes do que vocês podem imaginar. O que parece uma "brincadeira", não é. Eu sei que muitas pessoas olham isso de forma estranha, mas a vontade de ver os próprios ossos é maior do que tudo.

Acho que perder o contato com o próprio corpo é uma das piores coisas que podem acontecer, sua saúde, seu ser. Não interessa se for manequim 34 ou 38. Nunca está certo pra mim e eu só quero chorar. Não porque eu não gosto de mim, mas porque eu não me entendo.

Eu não sou uma pessoa alta e sempre briguei com a balança. Hipotireoidismo. Enfim. Eu decidi encarar meu passado sozinha com o meu instagram. Já fazia um ano que eu tinha depressão.

Eis minhas mudanças até hoje. Começando lá de trás. Eu sinceramente não sei se alguém está interessado em saber sobre isso, mas escrever sobre isso tudo me faz ficar mais confusa ainda.


Eu estava severamente doente, pesando por volta de 45kg ou menos, sendo que meu peso ideal é 56kg, sem comer, o que eu comia eu colocava para fora, não sabia receber elogios e ainda tentava me destacar e tentar chamar atenção de alguma forma. Acho que eu estava esperando alguém perceber que eu estava doente e me salvar. Talvez as coisas tenham começado a melhorar quando eu desisti da faculdade de biomedicina e comecei a me exercitar no circuito da praia. O que eu achei um absurdo, porque eu cheguei aos 50kg e não sabia lidar com o meu corpo. E cada pessoa que me apontava algo, eu achava que estava mais errado ainda. Momentos que me faziam rir eram completamente inexistentes, aconteciam, mas quase que nunca. Talvez eu tivesse começado a melhorar, até que meu avô veio a falecer. O mundo perdeu toda a cor, e eu também. Eu comecei a comer demais, por causa da ansiedade. E eu ainda acredito que minha medicação por algum motivo está errada, porque essa sensação ruim ainda não foi embora. Talvez o espelho tenha trincado por algum motivo, mas não sei. No final de todos os dias, era o mesmo vazio. Com o circuito, eu realmente voltei a ter um "corpo". Que não me agrada nenhum pouco. Acho que uma das decisões mais complicadas foi me livrar da minha imagem antiga e começar uma nova. Muita gente não entendeu e não aceitou. Mas eu tive meus motivos, e talvez por causa disso, hoje, mesmo ainda não estando satisfeita, eu me sinto mais livre. Eu, sendo singular, com meu cabelo preto, meu peso ideal e muita gente reclamando que eu engordei. Pois é, eu engordei. Infelizmente talvez eu nunca seja feliz com o meu corpo, eu espero que isso um dia mude, mas até lá, o máximo que eu posso fazer, é bater palmas para todas que se orgulham do que são. Porque mesmo mais aliviada e livre, eu passei muitas madrugadas no hospital tomando soro, dei muita preocupação para os meus pais, vi minha glicose e minha pressão despencarem, não conseguia segurar nada no meu estômago e só sentia meu rosto molhado de tantas lágrimas por absolutamente nada. Eu fui refém do mundo. Aliás, talvez alguma hora da vida todos sejam. Mas não se sentir bem com o que você é, talvez seja uma das piores dores que eu já tenha enfrentado.

Desalento no espelho.


A dor é uma coisa tão incrível. Ela dói. Não importa a situação. Pode ser um machucado, um amor perdido ou um adeus. Ela dói. Não tem como escapar.

A gente enfrenta tudo com coragem. Medo, desespero, amor, felicidade ou a agonia.

Mas não tem como controlar uma dor. Remédios só vão fazer você não sentir por um tempo, e então você sabe que a dor ainda está ali, só esperando o efeito e todo o torpor passar.

Dói tudo. Dói as juntas por não estarem maia juntas, dói a caixa torácica tentando aguentar todos os suspiros, dói os olhos de tanto tentar olhar para o futuro e não ver nada, dói as mãos que mostram o sinal da idade, dói cada lágrima de arrependimento e dói o coração por ficar cada vez mais vazio e quebrado.

Não existe remédio para a dor. E o que não tem remédio está remediado. Isso só significa que a dor vai ser uma companheira eterna. Daquelas que sabem todos os seus momentos ruins e apontam para eles toda hora. A doença faz doer a dor e eu adormeço doendo.

Anestésico.


Não é vontade de ter pessoas perto de mim, é só uma solidão sem explicação que aperta meu coração sem motivo nenhum. Eu não suporto quando eu tenho meus momentos de pensar que não existe futuro pra mim e que eu sou estranha demais.

Eu estou cansada de ter amigos e ao mesmo tempo não ter. Eu queria que existisse um anestésico para sentimentos. Minha vida seria tão mais fácil.

Como se nada existisse dentro de mim, mesmo que eu perdesse os sentimentos bons, eu não me importaria. O ruins não compensam e eles só pioram cada dia que passa, e eu me vejo parada tantas vezes tentando escrever algo e no final do dia não fazendo nada de útil.

Eu realmente era mais criativa e animada quando eu era mais nova, mesmo nas piores crises de choro eu conseguia anotar uma frase qualquer que fizesse sentido no meu caderno. Hoje eu só rasgo páginas.

Na verdade eu só odeio sentir saudades dos meus personagens, da minha própria cabeça. Isso faz sentido? Eu não sei que tipo de doença ou problema é esse, mas não é algo que eu posso controlar, é como se eu sentisse o sentimento de todos de uma vez só e eu fosse explodir. Acho que minha cota de amor foi embora quando eu decidi verbalizar o amor, e não transformar ele em um ato na minha vida.

Tem dias que realmente parece que eu vou morrer de tanta dor nesse coração que parece só bater nessas horas.

Não estou bem, mas estou.


Talvez tenha sido a casa de boneca que ficou vazia, ou o aquário que ficou sem peixe, talvez tenha sido o porta-retrato que acabou ficando sem a foto ou a coleira que carregava um nome tão doce, mas teve seu momento de "ir pra gaveta".

Eu sinceramente não sei em qual momento da minha vida eu poderia dizer que eu senti esse aperto no peito que é quase tão parecido quanto aquele de quando a gente acha que se perdeu da mãe da gente quando é pequeno.

Quando eu era criança, eu não experimentava muito o "não estou bem". Era uma bateria sem fim. Fui crescendo e o medo também cresceu dentro de mim. E as situações ao em vez de passarem depois do momento "não estou bem", elas foram acumulando. De pouquinho em pouquinho. Talvez eu até melhorasse, mas sempre ficava um pedacinho da sensação ruim.

Eu não desmereço a felicidade, gosto muito dela, mas hoje não sou do tipo que levanta da cama achando que vou encontrar ela. Na verdade, eu acabei ficando meio "eu não estou bem, mas estou". Eu sei que existe um tantão de gente assim (pelo menos eu gosto de imaginar que não sou a única).

Quando você precisa aprender a conviver com um vazio que não vai embora e acaba se acumulando com outros. A gente vive, segue em frente, mas algo ficou no caminho.

Ou algo se perdeu pelo caminho. Eu fico me perguntando se meu erro foi gostar de colecionar as pedras que eu encontrei até chegar aqui, ao em vez de simplesmente passar por elas sem olhar para trás.

Uma rapidinha #1


Sabe quando você tem muita coisa para falar mas não sabe nem por onde começar? Talvez eu deveria fazer uma carta de desculpas, uma de gratidão e uma de um auto atestado de parabéns com uma estrelinha.

Abril já acabou faz 14 dias e só agora eu me dei conta que já estamos chegando na metade de maio. Normalmente começo de ano passa batido na minha vida, mas parece que aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo. Infelizmente meu humor não anda ajudando muito.

Acho que eu deveria escrever uma carta de desculpas por ter pensando em abandonar tudo por esses dias, ainda bem que eu aprendi que não devo tomar decisões de cabeça quente. Eu não sou boa em expressar o que eu estou sentindo, então eu acabo sendo grosseira e passando dos limites. Talvez eu tenha deixado algumas pessoas desanimadas sendo que isso foi completamente errado da minha parte. Mas ter "poder" na mão me deixa meio zonza, porque eu, desde que aprendi a entender os dois lados da moeda, virei uma manteiga derretida. (Meh).

A gratidão é por todos que me fizeram chegar até aqui. Eu ainda sou universitária, e normalmente quando eu digo que faço "Letras Inglês" eu escuto muita gente gargalhar por causa disso. Eu vejo a diferença por conta da minha faculdade anterior. As pessoas deviam ter mais noção do que esse curso é, de verdade. Ser tradutora ou professora requer mais habilidades do que qualquer um pode imaginar, principalmente porque estamos lidando com palavras, e elas podem ser mais perigosas do que muitas armas. Então eu estou muito feliz por ter tirado o meu sonho do papel e feito ele virar realidade. Acho que é a primeira vez que eu vejo isso acontecer na minha vida. E é uma coisa incrível. Parece até uma utopia, trabalhar com algo que eu gosto tanto. Eu sinceramente espero que meus passos sejam firmes, e, mesmo se eu cair, que eu consiga levantar e continuar a seguir em frente. Isso é muito precioso pra mim. Principalmente quem investiu a paciência nesse projeto comigo, e acreditou em mim, principalmente.

O auto atestado de parabéns e a estrelinha seriam por estar conseguindo me controlar mais na afobação. Mesmo que ela esteja saindo em forma de água. Eu só queria declarar que uma vez ou outra eu consigo sentir um pouco de felicidade. É um pouco diferente da sensação de "meudeuslkdnasldalkndaslk" mas é uma sensação boa. Dá um quentinho no meu peito e eu sinto medo dele ir embora. Então eu tento apreciar esses pequenos momentos do meu dia quando eles aparecem. Vai dar 6AM e eu preciso deitar. Ainda estou tentando ser um ser humano, mesmo que não normal.

Enfim, essa foi a rapidinha da Ana. Ah! E eu agradeço por quem me procurou meio preocupado esses dias.

Porque eu ainda não desisti.


Todos os dias que eu acordo, não irei mentir, penso em desistir. E por que ainda não? Por que ainda de pé?

Eu acredito no impossível. Eu gosto de realizar sonhos. Eu não fico mais tão feliz quanto antigamente, admito. Mas eu ainda sinto, de uma forma diferente, mas sinto.

Não quero deixar aquela menininha descabelada, rindo no parquinho, correndo na areia, desapontada com o futuro dela. Porque eu sei que mesmo quando o maior medo dela era a profundidade do mar, ela não deixava de se molhar. Ela não deixava de arriscar.

Ela não viveu tudo isso para anos depois olhar para si mesma desistindo. Tomar remédios todos os dias é complicado, ser emocionalmente instável é uma droga, ter pensamentos ruins é o fim do mundo tem dias e sair da cama um inferno.

Depressão ou não. Ansiedade ou não. Viva eu estou. Não vou desistir por vontades que eu encontro aqui dentro. Eu sou mais forte, preciso ser. Uma hora eu vou, pra que adiantar? Não precisa. Até lá eu tento fazer o meu melhor, sofrendo, perdendo, rindo ou ganhando.

Para todos os dias ruins e para todos que ainda assim gostam de mim, desejo flores. Mas de verdade, sabe? Bonitas e com espinhos. Não acho justo desejar pela metade. Eu desejo sorte e azar. Amor e indiferença. Infantilidade e maturidade. Ninguém é feito sem dualidades, muito menos eu.

Se algum dia você pensar em desistir, lembre-se da criança que tem os olhos em você, esperando pelo melhor.

Uma dança.

Para cada dor, 
Uma flor
Para falta de esperança,
Uma dança
Para cada pensamento negativo,  
Um livro
Para cada machucado,
Um desejo
Para cada desespero,
Um novo apego
Para cada inflamação, 
Uma inspiração
E para cada medo,
Um beijo


Em todas as partes do seu rosto,
Levando tudo embora


Tudo passageiro
Sem volta

Quem nasce com coração?



"Quem nasce com coração?
Coração tem que ser feito.
Já tenho uma porção 
Me infernizando o peito.

Com isso ninguém nasça.
Coração é coisa rara, 
Coisa que a gente acha.
E é melhor encher a cara."

- Paulo Leminski

O torto dos 21 anos.


Eu já perdi a conta de quantas vezes eu cai no chão em pedacinhos e tive que montar tudo de novo. E sempre uma imagem nova.

Doeu bastante e ainda dói todas as vezes. Mas a dor vira amiga. É algo seu. É como se ela fosse carente o tempo todo e você precisa mimar ela todos os dias.

Estou caminhando para os meus 21 anos. Ainda me vejo meio torta. Mas consigo ver como me recuperei de tantas coisas. Essa madrugada me assustei com um vídeo antigo meu. Eu não tinha noção do que eu tinha. Agora que eu vejo de longe, me assusto. O doente nunca realmente sabe que está doente. O reflexo no espelho diz tudo, menos isso.

A maturidade não vem com a idade, vem com as memórias e as lembranças. Principalmente com a responsabilidade. Duvido muito que eu perca meu lado criança, mas ter uma visão diferente das coisas não machuca. Ser uma jovem adulta não dói. E eu não vou negar esse "status". A única coisa que eu nego é o que vem com ele. Casar, ter filhos e deixar de ser filhinha dos pais. Não pretendo fazer isso tão cedo, mas isso não significa que eu não saiba lavar minha roupa e tomar minhas próprias decisões.

Ter 21 é o início de uma estrada torta, cheia de armadilhas, pedregulhos, perigos e aventuras. E eu quero muito ralar os meus joelhos. Aprender a ser quem eu sou e abrir espaço para o novo. Assim como aceitar os fracassos.

Deixar de ter 15 dói. Mas ter 21 anos tem seus prazeres. Bons e até mesmo obscuros. Chega de dizer não. Vamos dizer sim ao sim e deixar o mundo seguir em frente. Eu não sei o que me aguarda lá na frente, mas seja o que for, vou continuar andando.

Começar a dar adeus aos 20 e aceitar mais um. Que tudo seja possível dentro do impossível. É só isso que eu desejo.

Eu tenho câncer, mas é meio diferente.



Quer uma dica? Aliás, não, um conselho? De amiga, ou de uma desconhecida que não tem nada com a sua vida, mas que quer te dar um conselho mesmo assim. Eu acredito que conselhos podem ser dados de graça sim, eles são os melhores e os mais sinceros, sabia? Eu vou deixar o meu aqui. Não brinque com os sentimentos de alguém que já teve ou tem pensamentos suicidas, você provavelmente não sabe o que é passar o dia inteiro pensando que você está de pé por nada, não sentir nada, não ver cores, não ver sorrisos, não e mais não. A vida é preenchida de um tantos "nãos" que acaba virando um nunca. A pessoa acaba se transformando em outra, ela se esconde por entre vários sentimentos que ela não consegue controlar sobre ela mesma. Antes de julgar, tente entender, e se você não quer entender, então cale sua boca e não fale besteira. É um conselho. Você sabe o que é ter um câncer? Você perguntaria para uma pessoa: "Por que você tem câncer?". Acho que não, espero que não. E sim, pessoas com doenças mentais tem câncer nas suas almas, no coração, bem naquele lugar mais sensível de todos. Eu tenho câncer, mas é diferente. Você vai se atrever a perguntar? Se não, só me deseje um bom dia e uma boa noite. Muitas vezes é só isso que alguém precisa pra acalentar tantos pensamentos ruins. Garanto que não vamos incomodar se vocês ficarem no lugar de vocês, continuando sem entender. Não é uma doença transmissível e ninguém pediu para ter. Já cansei de dizer que não se brinca com doenças mentais. E muito menos com sentimentos e com a vida. "Mas minha nossa, é muito forte dizer isso, câncer!". Não, não é forte, um câncer você pode ver, você pode acusar que está ali. Quando a doença está em outro lugar e não é física, não tem como "provar", e por causa disso, eu garanto que pode ser até pior. Imagine viver sua vida com fantasmas que ninguém vê, só de você.

Tudo o que se ganha nessa vida é pra perder.

Acabei de encher meu copo de felicidade com chá gelado, coloquei uma música qualquer pra tocar e sentei aqui na frente do meu amado computador. Estava pensando no banho, ultimamente eu tenho escrito tanto, mas eu sempre paro no início ou apago tudo e viro pro lado pra dormir. Preciso de jeito.

Tem tanta coisa rodando na minha cabeça que fica difícil começar a falar de um assunto e seguir com ele, então hoje eu vou só colocar para fora o que eu estou sentindo e postar de qualquer jeito, se não eu vou acabar explodindo.

Minha psiquiatra morreu. Uma coisa engraçada aqui, porque eu sinto como se uma pessoa da minha família tivesse morrido mais uma vez, porque nas horas mais complicadas, ela sempre aparecia na minha cabeça, segurando minha mão na sala dela, dizendo: "Você ainda é nova, é linda, você vai viver muito e vai ser feliz. Eu te prometo."


As pessoas marcam a gente com palavras doces sem nem saberem. Quantas vezes eu levantei minha cabeça por causa disso? E agora eu preciso entender mais uma vez que ela não está mais aqui para segurar minha mão. Provavelmente deve ser complicado de entender, mas relacionamento de psiquiatra com paciente é pura confiança. Pelo menos comigo sempre foi assim.

Meu humor anda fugido de casa, não tem muita coisa me deixando feliz. Na verdade, eu bem estou me alimentando emocionalmente de doramas. Acho que estou batendo meu recorde de programas assistidos por dia. Eu realmente preciso começar a traduzir alguma coisa pra colocar minha cabeça no lugar. O pior de tudo é quando além de estar sem humor, eu me sinto inútil e não me sinto bem na minha própria pele.

Ultimamente dormir é sinônimo de pesadelo. Mas não de monstros, antes fosse. Minha cabeça decidiu abrir a gaveta de memórias ruins e eu bem estou revivendo algumas cenas que eu não quero. Sabe o que é o mais triste? Eu não consigo chorar. Parece meio babaca dizer isso, mas eu preciso colocar pra fora. Eu realmente preciso. 


Mas sei lá, eu estou de mudança, sabe? Minha cabeça está mudando. Aos poucos eu estou me livrando da minha imagem antiga. Começando pelo cabelo, que eu sei que muito de vocês não gostaram. Obrigada por não terem vindo me criticar diretamente, vocês realmente foram um doce dessa vez. Eu estava precisando, ainda estou, de várias maneiras. Não quero ser a ruiva cheia de problemas. Eu só quero ser a Ana tem dias. Acho que eu estou melhor assim agora.

E é, o post não era pra fazer sentido. Eu só estou cansada de várias formas. Eu estou esperando as pessoas serem boas comigo depois de várias coisas que eu fiz por elas, mas eu me esqueço que essas coisas não acontecem. Eu preciso continuar sendo boa com elas mesmo sem receber nada em troca. Alguma hora, alguém repara, né? Até lá, eu espero. 

Ingratidão fez de mim hoje o que um dia eu jamais quis ser.


Desisti faz tempo. 

As fotos pararam de importar, as músicas passaram a ter outros significados, presentes viraram só objetos inúteis e o apito do celular não faz mais diferença. Sua confiança nas outras pessoas piora e você ainda se auto julga por ter gostado realmente daquela pessoa. O que você viu nela, afinal?

Ingratidão fez de mim hoje o que um dia eu jamais quis ser. Não faço questão de amigos e nem de companhia. Pessoas interessadas me deixam estressada. Amizade virou sinônimo de furada. Eu me aceito assim e passo os meus dias comigo mesma, com os meus livros, com a minha faculdade, com os meus dramas, com o meu sono e com os meus sonhos.

Eu pareço ser um buraco de lama falando assim, né? Mas de boa, aprendi na marra a ter que gostar da minha própria sombra. Sofri por muito tempo, mas passou. E os amigos de hoje são poucos, porém, garanto que não tem nada de pouco quando eu falo em confiança. Mesmo que eu demore pra pegar um avião, eu tenho certeza que cada um vale mais do que ouro. Você acaba reparando que o caminho mais complicado te preenche. Sozinha hoje para amanhã ver quem importa.


Deve ser extremamente difícil acreditar quando eu escrevo isso. Mas não, realmente, as coisas deixaram de seguir a receita de bolo na minha vida. Meu dia é noite e minha noite é dia. Tenho medo do claro, não do escuro. Me assusta mais uma confissão e promessas do que um olhar significativo no silêncio.

Desistir de alguém é muito triste sim, principalmente se os seus sentimentos eram realmente sinceros. E eles também não vão embora, eles só aceitam o fim. E aceitar um fim significa que você está aceitando um novo começo. Então tudo bem, sabe? Porque nada realmente acaba só porque o fim chegou, o mundo continua, e a vida também.

Não faço amor.



Parei com essa história de amor faz um tempo. Cansei. Foi uma escolha. Eu simplesmente não tenho estrutura emocional pra brincar de amor. É um jogo sem regras e que não me agrada. Meu coração é pesado demais pra alguém carregar.

Eu estaria mentindo se eu falasse que não me apaixono. Faço isso todos os dias. Adoro me apaixonar. Adoro. Mas nada passa do platônico. Eu me permito. Mas amor, não. E eu não entendo porque tanta gente me critica por causa disso. Olha, eu amo pessoas o suficiente, meus amigos pra vida inteira. Pouquíssimos. Mas amo. Não quero dividir minha vida com ninguém. Quero dividir felicidade.

Até hoje meus planos não envolvem casamento ou dormir ao lado de alguém. Eu escolhi gostar de mim mesma. Eu escolhi ser a senhora dos gatos (cachorros, periquitos e papagaios). O que diabos tem de errado nisso?

Eu não acho que eu seja capaz de brincar de amor. Então, não vou desperdiçar minha vida com isso. Quero ser feliz, desfrutar da vida, sentir vontade de ir pra frente, ter sim minha casa cheia de bichos. Cuidar da minha saúde e do meu corpo. Ter meus mil e quinhentos bichos e fazer minha adoção. Quero viver do meu jeito. E não ter uma vida de receita de bolo.

Talvez eu mude de ideia, mas acho pouco provável. Já namorei bastante, já beijei bastante e também já fiz muito sexo. Não foi me preocupando com outra pessoa que eu tive alegria. Eu escolhi ser solitária e carente. Mas feliz. Tenho muito amor pra dar, mas isso não quer dizer que vou sair feito louca dando sinal verde. Me deixe amar as coisas pouco amadas, as vontades e os desejos estranhos.

Eu posso sim morder a língua, mas de tantas paixões, duvido muito que alguma venha a crescer dentro de mim. Não faço amor alheio. Faço amor próprio. E se próprio já é difícil, imagina com outra pessoa.

Quando uma crise volta.

Eu posso ser extremamente engraçada quando estou passando mal, digo, depois que eu passo mal, dá até pra rir dos meus motivos pra ter entrado em crise, muitas vezes são são idiotas e sem sentido nenhum que dá vontade de voltar no tempo e me dar uma surra.

Infelizmente é que não importa o quanto eu tente pensar racionalmente, eu não consigo, meus piores medos vem pra minha cabeça e nem colocar pra fora todos eu consigo, porque quando eu verbalizo, meu medo que tudo se torne realidade piore.

De qualquer forma, é difícil respirar depois de uma crise de pânico, depois de você achar que não é capaz de fazer mais nada. Mas passa, pode demorar, mas todas as sensações ruins passam. Mas é difícil aceitar que uma vez ou outra você vai ter um acesso de ansiedade e pânico. É estar nos próprios sapatos e ao mesmo tempo não estar. 

Quarta-feira eu experimentei mais uma vez o gostinho de sentir tudo desabar aqui dentro de mim. Parece que meu sistema aperta o reset e tudo dá erro. ERROR, ERROR, ERROR. É como eu me sinto. Passei por dois dias péssimos. Mas eu já estou conseguindo respirar.

E aqui fica minha dica pra quem tem ansiedade: não tomem remédios que fazem sua circulação aumentar. Eu tive que tomar cefalium por causa de uma enxaqueca e descobri hoje, porque tomei de novo, que ele foi extremamente culpado pela minha afobação.

E é isso. Vamos que vamos, porque a vida não pára. E eu ainda estou viva.