Antes de mais nada, eu peço a compreensão de todos. Eu não escrevi nada disso para soar bonito. É apenas a minha realidade, e como a maioria das realidades, ela não é boa.
Trastorno de Ansiedade & Depressão Psico Maníaca.
Ter uma doença assim é extremamente pessoal, porque muitas pessoas não sabem lidar com o que tem, sintomas são diferentes em algumas ocasiões e assim como os medos que cada um desenvolve.
E só pra constar, não se brinca com doenças mentais. Sejam elas quais forem. Todo mundo fica triste e tem sentimentos ruins, mas isso não faz ninguém ter o direito de chamar de frescura ou de até querer chamar atenção com isso. É errado, coloquem isso na cabeça de vocês. Eu estou sendo meio chata aqui porque eu sofro com pessoas me acusando de ambas as coisas, e não é bem assim que o trem da Ana anda e tenho CERTEZA que o de ninguém também.
Só pra avisar de novo, vai existir nesse post algumas coisas não muito agradáveis de se ler, se você não sabe lidar bem com isso, eu não recomendo. E ele vai ser longo. Se aventure comigo ou não, a escolha é toda sua de tentar me entender.

Tudo começou uma palavrinha chamada "ansiedade". Acho que todo mundo conhece aquela sensação de ter as mãos frias por causa daquela prova que está te aterrorizando, ou de não conseguir dormir por causa de algum evento que vai acontecer no dia seguinte. O que é uma coisa completamente normal. Todo mundo já sentiu um frio miserável na barriga até mesmo por causa do primeiro beijo que deu na vida.
Bom, comigo não foi assim. Eu sempre fui uma criança muito ansiosa. Eu descobri, por meio de tratamentos com uma psiquiatra que a tremedeira que eu sentia por dentro, a falta de ar e meu formigamento na boca nunca foram igual a ansiedade que meus amiguinhos tinham. Meu corpo sempre reagiu ao medo de uma forma estranha. Me lembro de passar noites a fio com minha mãe acordada do meu lado pelo simples fato de eu estar chorando compulsivamente por não querer ir a escola no outro dia. E eu não tinha bicho papão nenhum na escola para enfrentar, para ser honesta, o meu medo era ter que enfrentar a minha própria cabeça.
Eu devia ter uns 14 anos nessa época, eu sei que eu passei por diversos traumas, desde os mais pequenos como um amigo falar algo ruim pra mim e me deixar ou algo maior como decepção com o que eu chamo de pai. Eu sei que em um espaço de mais de quatro anos agora (acho que cinco, seis, sete), não conseguia falar com ninguém direito (eu era muito grossa por medo) e até mesmo passava dias deitada na cama ou chorando sem nem saber o porquê.
Foi no último ano do meu ensino médio que tudo desabou. Meus 18 anos, aquela idade que todo mundo sonha em ter, virou um pesadelo. Virou o meu maior pesadelo. Eu comecei a ter ataques de pânico, eu não conseguia sair de casa, não conseguia nem ir ao supermercado acompanhada, e quando ia, eu sempre tinha que manter minha mão no ombro da minha mãe, porque eu jurava que eu ia cair no chão ou algo catastrófico sem explicação nenhuma ia acontecer comigo. Minhas idas na escola e saídas da cama até mesmo para ir ao banheiro eram como estar dentro de um jogo de terror.
Eu suava frio e minha visão ficava turva. Não conseguia entrar mais em nenhum ônibus ou lugares com muitas pessoas. Tinha medo de ficar sozinha e por volta de mim tinha toda aquela tensão de sair da escola e fazer uma escolha para virar aquela tão sonhada 'gente grande'.
Meus pais nunca me forçaram a nada, eu sempre quis me forçar a tudo. Mas eu perdi o controle e acabei adoecendo mais ainda do que já estava. Nesse meio tempo de último ano de ensino médio, eu comecei a não conseguir comer nada, e quando comia, eu simplesmente vomitava. Ou tinha dias que eu simplesmente corria para o banheiro só com o pensamento de comer algo. Então eu desenvolvi o meu disturbio alimentar que ainda me acompanha de mãos dadas até hoje.
Absolutamente tudo eu colocava para fora, de formas tão grotescas que meu rosto chegava a ficar com sangue preso. O hospital era o lugar que eu mais frequentemente visitava, por não estar alimentada. Minha mãe chegou a querer me tirar completamente da escola para me internar, não foi uma coisa muito legal. Mas o hospital na época era a minha zona de conforto e eu, quando ainda me sinto mal nos dias de hoje, me sinto na vontade de tomar um soro na veia achando que minha vida vai se resolver com isso.
Hoje o meu distúrbio alimentar ainda ataca em momentos que eu quase decido abraçar o vaso sanitário de vez. Porém a comida, mesmo sendo uma velha inimiga, algumas vezes é a única coisa que me acalma. Cheguei a pesar quase que 45kg, hoje eu estou na casa dos 58kg. Eu sempre me senti um lixo. Sendo magra ou gorda. Eu nunca estive satisfeita comigo mesma. Isso é um transtorno alimentar, ele não vem com um tamanho de manequim. Ele simplesmente acontece, não importa que tipo de pele e casca você tenha.
Eu me sentia e estava sozinha. Pelo fato disso tudo estar acontecendo comigo. Eu desenvolvi depressão. Não uma qualquer, eu cheguei a ser diagnosticada com psicose-maníaco depressiva. É a depressão que não é unipolar, a pessoa vive uma constante montanha-russa sem significado algum.
Você fica completamente agitada uma hora, inquieta, querendo fazer mil coisas porém ser força pra fazer nenhuma delas e se sente a pessoa mais inútil do mundo, e, no segundo seguinte, você vai para um estado de só querer dormir e não conseguir mais entender o porquê das pessoas viverem.
Minha mãe demorou muito tempo para me levar a um psiquiatra. Acho que ela esperava ou no fundo rezava sozinha que era uma fase e que ia passar. Mas é, não foi uma fase e eu fui diagnosticada. Já passei por momentos de tamanho desespero que até ligar para a linha de suicídio eu liguei. Aqui vai uma coisa que eu acho que muita gente não entende. Prestem atenção. Porque isso é de coração de alguém que já passou por isso.
A gente não sente vontade de morrer, a vontade vem sozinha, os pensamentos vem sozinhos. As coisas vão se acumulando de tal maneira que você se pega pensando que talvez a única maneira de se livrar dessa dor é morrer. Não é frescura, não é querer chamar atenção, não é ser egoísta com ninguém. São pensamentos suicidas, e se você os tem, por favor, procure ajuda. Eles não vão ir embora sozinhos.
Se você não consegue falar, pelo menos tente digitar. Existem sites como a CVV ORG que ajudam muito. Ou simplesmente ligue para o 141. (Eu ainda farei um texto só sobre isso para explicar melhor como a CVV funciona). E sim, eu já tentei me matar. Eu já tentei me suicidar, eu já tentei tirar minha própria vida. E eu posso garantir que quando despertamos esse gatilho, nossa cabeça sai completamente fora do controle. Não existe mundo racional quando isso acontece.
Vai fazer quase seis anos de que eu estou sob controle de medicação. Por muito tempo eu me senti um lixo por precisar de remédios controlados para conseguir me incluir na "sociedade". Mas eu cheguei a conclusão de que eu não tenho para onde fugir. Eu já passei da mera fluoxetina que todo mundo conhece para remédios como Limbitrol, e meu maior aliado até hoje é o Clonazepam, o conhecido Rivotril de muitas piadas por ai.
Vocês vão quebrar muito a cara com as pessoas, porque muitas delas tem preconceito ou simplesmente acham que isso é realmente frescura. Não é. Nada disso é frescura, ninguém aqui pediu para ter problemas assim.
Tente não se doar tanto para os outros, e pense que querendo ou não, a doença te faz ver o mundo com outros olhos. Talvez com um olhar mais triste, concordo, mas no meu caso, hoje, uma simples gargalhada de quem eu gosto já me deixa feliz por um dia inteiro.
Eu sei que é difícil se dar a chance de sair de casa e enfrentar situações que te tirem da sua zona de conforto, mas o faça. Entre nos lugares dos quais você tem medo! Tente seguir em frente por você mesmo.
Eu nunca fiz terapia, eu já tentei, diversas vezes, mas não é foi isso que me ajudou. Eu aprendi sozinha. Hoje eu consigo entrar em ônibus, consigo entrar em lugares fechados e consigo respirar. Aprendi sozinha. Muitas vezes eu me peguei repetindo que não conseguia e que eu não tinha forças para isso. Mas eu tive. Dias ruins existem, e a maioria deles são ruins se você não fizer algo para mudar isso.
Se informe, leia muito sobre o que você tem. Eu não digo ficar horas no tumblr reblogando pessoas vazando sangue e com pensamentos ruins. NÃO. Eu já fui vítima dessa fase e não recomendo isso para ninguém. O mundo está lá fora. Você vai precisar enfrentar ele uma hora ou outra.
Chore. Chore muito. Não segure seus sentimentos, aprenda a controlá-los, mas nunca os renegue. São seus e eles precisam ser colocados para fora. Acredite em mim.
É normal não estar bem. É normal não se sentir bem. É normal querer entrar em um lugar e sair, é normal olhar para os outros e sentir inveja, é normal não se sentir bem consigo mesma, é normal querer ser outra pessoa. Mas você não é. Aprenda a ter amor, MUITO, mas MUITO amor próprio. Às vezes as pessoas me acham nojenta por eu ter uma boa quantidade dele, mas sem ele, eu garanto que sou um potinho de miséria. Não se deixe definir pela sua doença. Eu cheguei ao ponto de dar a mão a ela e dizer: "Ok, vamos lá!".
É uma característica minha, assim como eu tenho cabelos cacheados e 1,53cm de altura. Não tem para onde fugir. Eu não acredito que exista uma cura ou que um dia isso simplesmente vai parar, porque ainda vai existir o medo, e às vezes o medo de ter os ataques de pânico consegue ser pior do que os próprios. Só tente aprender a lidar com ele. Não deixe sua vida parar, isso é um conselho que eu dou a mim mesma e a quem está lendo isso e tem alguma doença.
O mais importante: NÃO SE ISOLE. Jamais! Tenha amigos. Saiba quebrar a cara, mas você vai ver que alguns vão realmente te entender ou tentar e querer ficar do seu lado pelo que você é. Não fique sozinho. Deixe que peguem sua mão e te levem para lugares que você diria não, vá.
A gente não sabe o dia de amanhã, por que não tentar o dia de hoje?

E seja qual for o seu motivo, desde bullying, até se perder por causa de alguma coisa que te aconteceu pelo caminho que todos traçamos, se agarre em algo. Ouça música, leia livros, seja forte. Seja forte. Eu nunca imaginei que eu fosse chegar até aqui e eu estou aqui. Eu estou longe de ser a pessoa mais forte desse mundo, por isso, por favor, lembre-se que sua vida vale muito para alguém.
Eu estou vivendo nesse terror desde a minha adolescência e andando para os meus 22 anos ainda acompanhada por eles. No meio dessa estrada torta que a vida me deu, eu aprendi que tolerância é o necessário para continuar vivendo. Não dá para jogar tudo para o ar. Infelizmente. O show continua, a vida continua, nada para.
Eu ainda tenho dias, e não é raramente, é muito constante, em que eu quero simplesmente cerrar as minhas próprias pernas fora quando eu sinto agonia do pânico vir. Mas eu aprendi que mesmo assim, eu preciso erguer a cabeça e continuar seguindo em frente. É a minha vida, são os meus sonhos, e não existe ninguém responsável por isso além de mim mesma.
E sim, a minha conclusão, depois de um texto inteiro, é que indo para os meus 22 anos e depois de anos de medicação e tratamento, eu ainda não me curei. Eu ainda choro, eu ainda tenho crises de pânico e eu ainda sinto vontade de morrer. Mas eu estou de pé. Eu posso cair, mas eu levanto de novo. Eu posso estar na beira do abismo, eu posso sentir ele me chamando, eu posso sentir vontade de me jogar, eu posso me imaginar caindo. Mas é isso. É um apenas.
E será sempre assim, apenas um passo de distância de uma real loucura que pode ser fatal.







































