
Como é ser uma Ana nesse momento?
São quatro horas da manhã do dia 27 de agosto. Eu acabei de misturar dois chás e estou sentada no sofá da sala. Estava me perguntando sobre meus próprios demônios.
Eu finalmente consegui marcar um psiquiatra novo. Desde que a minha morreu, eu não faço ideia do que falar com um novo. Eu não acho que eu tenha piorado. Mas colocando em palavras, é como se os machucados antigos tivessem fechado, só que ao mesmo tempo, novos apareceram. Vou quebrar muito a minha cabeça ainda sem saber o que falar.
Eu estou no meu quarto período na faculdade. Eu dividi esse período no meio, aliás. Eu quero experimentar outras coisas com um pouco de tempo livre. Como tentar voltar a ler, talvez.
Trabalhando com algo que eu tinha sonhado em trabalhar. Não é qualquer dia que você dá um ponta pé e consegue trabalhar para o seu site favorito de dramas, né? Eu ainda tenho bastante coisa para aprender, e isso é certo, eu realmente quero aprender tudo que eu puder.
O relacionamento com meu pai passou do zero para o negativo. Assim como a família. Eu só tenho minha mãe. E ainda estou preocupada com a saúde dela, ela não anda muito bem e isso me perturba demais.

No geral, acho que eu sou uma guria normal de 21 anos (ou não). Estudando, trabalhando, seguindo os próprios sonhos, se sentindo perdida, tropeçando nos próprios pés uma vez ou outra, rindo, chorando e querendo dormir bastante. Minha vaidade se escondeu na última gaveta no armário. Espero que ela volte daqui uns anos.
Eu quero meus amigos, quero ser capaz de fazer os outros felizes, quero continuar sendo besta do jeito que eu sou: a menina que faz promessas sempre que vê o sol nascer.
Algumas coisas podem mudar, o destino pode me dar uma rasteira aqui ou ali, mas para quem estava desesperada, em prantos, antes de ir para o último ano do ensino médio, com um relacionamento horrível e achando que não ia ter futuro para nada, eu até que cheguei longe demais.
Acho que ser uma Ana tem dessas. A vida surpreende você. Sempre.





