registro de um saldo positivo -


Eu queria fazer essa atualização aqui sobre como eu estou. Porque eu acho importante fazer esses registros quando se tem uma doença assim, porque você costuma ficar meio perdida no tempo de como você já esteve, se as coisas pioraram de alguma forma ou melhoraram. É importante. Então é isso, vamos a um registro, porque no final do ano passado eu mudei de médica pela quinquagésima vez e cá estamos.

E se tem uma coisa que acabou comigo, foi ter parado nas mãos de médicos tão tresloucados e desatualizados enquanto eu ainda estava muito doente e sem saber o que eu tinha que fazer da minha vida antes de achar a certa.

Foram quase seis anos tomando Rivotril todas as noites para dormir, sentindo as crises de pânico subindo, nada melhorando e eu até mesmo já tinha desistido de sair daquela nuvem cinzenta. E a maior consequência disso, com toda certeza, foi minha memória. Pra quem não sabe, e eu fiquei sabendo já depois de muito fodida, o Rivotril não deve ser usado nesse tanto tempo e dessa forma.


Claro que existem casos e casos, mas no meu, o Rivotril serviu, dentro de todos esses anos, para acabar com minha memória. Sério, tem coisas que eu nem lembro mais, estou com buracos negros na cabeça por causa desse remédio. Eu literalmente esqueci muita coisa, tem horas que eu fico encarando o nada tentando lembrar de coisas que me falam e não me aparece nada. O remédio é ótimo para acabar com momentos de pânico, com certeza, mas usado por muito tempo, ele acaba com sua memória também, de brinde.

Então é aquela história, vá em 500 médicos e procure pessoas que dividem experiências com medicações assim. E ainda bem que as pessoas hoje em dia estão se abrindo mais em mais.

Atualmente, tomando dois remédios diferentes faz uns 4 meses, e tem dias que eu me assusto com o quão bem eu estou. Foram tantos anos andando com o formigamento por causa da minha ansiedade, que ficar sem ele chega ser meio maluco. Parece que não faz sentido eu estar bem. Mas eu estou, pelo menos em 80%.

Acho que a única coisa que me resta ainda é ficar tonta em lugares fechados, com muitas pessoas. Nem sempre acontece, mas ainda acontece. Eu não tratei propriamente minha agorafobia, eu tenho plena noção disso, e sei que ela não é uma fera domada. Por isso ela ainda ataca, e ataca bastante.

No mais, é isso. O saldo está mais positivo do que negativo, e eu queria que isso tivesse acontecido faz muito tempo, mas eu estou satisfeita de qualquer forma.


Foi só uma atualização mesmo, eu tô acordada de insônia, vendo besteira na internet, pensando em responsabilidade de quem põe comida dentro de casa.  Registro feito. Esses dias ainda vou voltar para falar da minha experiência com as duas novas medicações mesmo, com nomes e tudo certinho. 

Lago escuro.


Joguei a pedra naquele lago escuro, parado, quase morto. A pedra era meu objetivo para fazer alguma mudança. Eu queria movimento. Eu queria acordar o pouco de vida que ali restava. Esperando que um susto fizesse diferença na própria indiferença. Aquela indiferença do lago refletia todos os dias em meus olhos cansados. 

Aquele lago representava minha alma, e depois de jogar a pedra no ar, eu percebi como uma idiota que é necessário morrer. É necessário morrer para renascer. 

Eu poderia jogar todas as pedras possíveis que nada mudaria. Só o tempo pode salvar aquele lago.

Então eu abri mão das pedras e entreguei minhas águas ao tempo.