Não faço amor.



Parei com essa história de amor faz um tempo. Cansei. Foi uma escolha. Eu simplesmente não tenho estrutura emocional pra brincar de amor. É um jogo sem regras e que não me agrada. Meu coração é pesado demais pra alguém carregar.

Eu estaria mentindo se eu falasse que não me apaixono. Faço isso todos os dias. Adoro me apaixonar. Adoro. Mas nada passa do platônico. Eu me permito. Mas amor, não. E eu não entendo porque tanta gente me critica por causa disso. Olha, eu amo pessoas o suficiente, meus amigos pra vida inteira. Pouquíssimos. Mas amo. Não quero dividir minha vida com ninguém. Quero dividir felicidade.

Até hoje meus planos não envolvem casamento ou dormir ao lado de alguém. Eu escolhi gostar de mim mesma. Eu escolhi ser a senhora dos gatos (cachorros, periquitos e papagaios). O que diabos tem de errado nisso?

Eu não acho que eu seja capaz de brincar de amor. Então, não vou desperdiçar minha vida com isso. Quero ser feliz, desfrutar da vida, sentir vontade de ir pra frente, ter sim minha casa cheia de bichos. Cuidar da minha saúde e do meu corpo. Ter meus mil e quinhentos bichos e fazer minha adoção. Quero viver do meu jeito. E não ter uma vida de receita de bolo.

Talvez eu mude de ideia, mas acho pouco provável. Já namorei bastante, já beijei bastante e também já fiz muito sexo. Não foi me preocupando com outra pessoa que eu tive alegria. Eu escolhi ser solitária e carente. Mas feliz. Tenho muito amor pra dar, mas isso não quer dizer que vou sair feito louca dando sinal verde. Me deixe amar as coisas pouco amadas, as vontades e os desejos estranhos.

Eu posso sim morder a língua, mas de tantas paixões, duvido muito que alguma venha a crescer dentro de mim. Não faço amor alheio. Faço amor próprio. E se próprio já é difícil, imagina com outra pessoa.

Quando uma crise volta.

Eu posso ser extremamente engraçada quando estou passando mal, digo, depois que eu passo mal, dá até pra rir dos meus motivos pra ter entrado em crise, muitas vezes são são idiotas e sem sentido nenhum que dá vontade de voltar no tempo e me dar uma surra.

Infelizmente é que não importa o quanto eu tente pensar racionalmente, eu não consigo, meus piores medos vem pra minha cabeça e nem colocar pra fora todos eu consigo, porque quando eu verbalizo, meu medo que tudo se torne realidade piore.

De qualquer forma, é difícil respirar depois de uma crise de pânico, depois de você achar que não é capaz de fazer mais nada. Mas passa, pode demorar, mas todas as sensações ruins passam. Mas é difícil aceitar que uma vez ou outra você vai ter um acesso de ansiedade e pânico. É estar nos próprios sapatos e ao mesmo tempo não estar. 

Quarta-feira eu experimentei mais uma vez o gostinho de sentir tudo desabar aqui dentro de mim. Parece que meu sistema aperta o reset e tudo dá erro. ERROR, ERROR, ERROR. É como eu me sinto. Passei por dois dias péssimos. Mas eu já estou conseguindo respirar.

E aqui fica minha dica pra quem tem ansiedade: não tomem remédios que fazem sua circulação aumentar. Eu tive que tomar cefalium por causa de uma enxaqueca e descobri hoje, porque tomei de novo, que ele foi extremamente culpado pela minha afobação.

E é isso. Vamos que vamos, porque a vida não pára. E eu ainda estou viva.

A borboleta no meu jardim.


Uma borboleta presa em um pote, morta. Já parou pra pensar nisso? É tão triste. Ela passa por tanta coisa, vive como lagarta até ganhar suas asas para poder voar, ir atrás das flores que a fazem feliz, viva. E então colocam essa borboleta dentro de um pote, sem saída, sem comida, sem nada. E tudo aquilo pelo que ela passou, todas as dificuldades para virar uma borboleta não serviram de nada. E ali ela morre. Alguns acham isso lindo. Eu acho isso muito triste. Não se prende um amor, não se prende beleza, não se prende uma vida. É por isso que eu vou cuidar sempre muito bem do meu jardim, para que qualquer borboleta que queira ficar, fique por vontade própria. Não sou dona de nenhuma delas, eu não sou dona de ninguém, não posso forçar ninguém a ficar. Tem gente que prende a borboleta dentro do pote por puro prazer. Ah, não. Por mais que eu ame demais qualquer borboleta que apareça na minha vida, eu vou fazer de tudo pra deixar ela ir se ela quiser, não quero obrigar nenhuma delas. Quero que elas fiquem comigo mesmo que meu jardim tenha espinhos, mesmo que meu jardim tenha poucas flores. Não tem como o jardim ser perfeito. Mas ele também tem coisas boas, sabe? No meio das ruins, mas tem. Do que adianta ter uma beleza se ela perdeu a vida? Viver colecionando coisas assim deve ser pior do que viver na solidão. 

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Um vira-tempo, por favor.


Eu ainda tenho tanta coisa pra aprender. Parece que o tempo passa, eu acho que eu aprendi algumas coisas, mas eu ainda vejo tantas falhas.

Acho que a minha maior falha é não seguir o tempo, é querer permanecer em um segundo mais do que ele permite que eu permaneça. Eu não gosto de me permitir muito com relação aos meus sentimentos, mas eu sou feita de saudades. Eu sempre dou mais valor pra tudo que já passou do que pro hoje ou pro amanhã.

E quando eu amo demais alguém, eu acabo esquecendo as coisas ruins, e as coisas boas, os momentos bons, as risadas, os olhares, as entrelinhas e até mesmo o silêncio, tudo isso fica cutucando minha cabeça. Mas eu não posso me permitir. Eu tenho que parar de andar para trás. Eu já parei, aliás, acho que 2014 não poderia ter começado melhor do que começou. E eu não me importo de me sentir só, na verdade, eu tenho que me sentir só.


Eu sei que eu tenho pessoas por mim. Mas eu tenho que aprender a ficar com o meu próprio silêncio, minhas próprias vozes, vencer minha angustia, transformar meus pensamentos em boa companhia.

Meu pecado é amar demais, me doar demais, querer demais em troca. Meu pecado é querer sentir tudo de bom que eu já senti no meu passado de uma vez só, mas são só lembranças, o sentimento não retorna, e se retorna, não retorna igual. Eu acho que vou viver de saudades pra sempre. Mas eu sei que o tempo não volta. E eu tenho que viver o dia de hoje e pensar que eu tenho o amanhã. Seguir em frente. 

Por algum motivo eu escuto o Haku na minha cabeça, falando com a Chihiro: não olhe para trás.

Por mais que seja tentador, por mais que você queira sentir aquilo tudo de novo, sentir que seu passado foi seguro, porque né, você sobreviveu nele, ele não vai voltar. Leve as lembranças. Mas não viva delas. 

Tanta coisa pra aprender ainda.

Amar demais.


Eu sempre tive que conviver com o dilema de amar demais o que me faz muito mal, mas ao mesmo tempo, me faz bem. Eu não sei se isso faz sentido, mas amor pra mim é algo que sempre vem acompanhado com algum tipo de dor.

Minha imaginação por muito tempo, muito mesmo, foi o que me me deu forças e me empurrava pra frente. Fiquei tanto tempo aprisionada no RPG, nas situações e personagens. Foram quase dez anos. Quase seis com a mesma história. Meus personagens criaram vozes próprias dentro da minha cabeça. E minha imaginação passou de um refúgio para algo que começou a me consumir por dentro. Ainda hoje eu me sinto perturbada por tantas vozes aqui dentro.

Eu só consigo viver de extremos. Se eu te amo, é provável que eu te odeie só pelo fato de que você mexe com sentimentos meus. Filmes, livros, músicas. Tudo se torna um amor e um ódio. Um prazer e uma tortura. Eu sinto demais. Fecho os olhos e deixo minhas músicas me tirarem da realidade. Só assim eu consigo dormir. Fones de ouvido e volume alto.

Tudo o que eu amo,  praticamente, me tira do mundo real. Isso me irrita. Se alguém me perguntasse: você prefere uma tarde com um filme sobre verão ou uma tarde em uma praia, pra aproveitar o verão? 

Eu iria querer ver de longe. Na tela da TV. Eu não sei se ainda tenho estabilidade emocional pra certas coisas. Viver de longe parece tão mais seguro.

Plot twist.


(já passei por muitas e boas)

Quando uma doença vira outra? E quando você se acostuma com os sintomas e com algo que você vive e consegue respirar mas tudo começa a mudar de novo? 

Eu adoro esses plot twits que a minha vida me entrega. Meu roteirista tem o mesmo problema que o meu quando eu criava um personagem para o meu antigo RPG. 

Ter vários defeitos não é o suficiente, você precisa colocar uma dificuldade enorme na vida da pessoa, e se ela supera, você faz ele voltar de outra maneira até ela superar de novo.

Eu nunca gostei de histórias que os personagens são felizes e normais demais. Eu sempre fui feliz com todos os livros da Marian Keyes. Eu tenho certeza de que se você já leu algum, entende bem como uma pessoa pode carregar uma situação triste a vida inteira mas ainda pode rolar no chão de rir.

Mas eu não vim aqui pra digitar isso. Eu vim aqui realmente colocar pra fora que eu estou assustada com o que anda acontecendo comigo recentemente.

Eu sei que antes de mudar meu CID, eu ainda tenho que pensar que estou em adaptação com medicação e estou de TPM. Mas eu já estive em adaptação várias vezes e de TPM idem, nenhuma delas foi assim.

..

Eu estou com uma preocupação constante com tudo, e não, eu não consigo controlar, porque quando eu tento, eu fico preocupada em não me controlar e piorar. Medo de ter medo. 

Pensamentos ruins ficam rondando minha cabeça. Eu não consigo ter incerteza sobre nada, parece que eu estou apreensiva com tudo.

Não consigo relaxar, não consigo me concentrar, eu já não consigo me expressar direito, quando eu tento, eu explodo. Eu estou com rigidez muscular, dores de cabeça, estou nauseada, tonta e ontem passei o dia inteiro achando que não ia mais conseguir engolir nada.

Untitled

A única coisa que eu consigo fazer é fingir que eu não estou sentindo nada quando eu preciso. Porque eu não posso deixar uma situação me engolir, porque se não eu vou ficar com mais medo ainda dela se eu não enfrentá-la. "Enfrentar o que lhe provoca receio". Santo mantra que me faz viver. 

Mas é. Parece que eu ando meio bagunçada. Mais do que o normal. E sei lá, no final do dia eu já aceitei que as pessoas não podem me ajudar, só me amar. Só eu mesma posso acalmar minha cabeça. E os remédios, que minha psiquiatra receita. 

"love is a serious mental disease." — sadnessandmemories: - | via Tumblr

Eu já deixei de considerar ela um ser humano faz tempo. Sinceramente, eu já estou querendo dar todos os prêmios desse mundo pra todo mundo que dedica a vida para entender tantos problemas que uma mente só pode ter.

E é isso. Só queria colocar pra fora mesmo. Nada de Ana tentando ser farofeira hoje.