
O defeito veio de fábrica. Não gosto de risos perfeitos, sempre me emociono mais com um silêncio, sempre dei mais razão pra intolerância do que pra paciência, sempre detestei colecionar momentos felizes, gosto de olhar pros ruins e me lembrar do que não fazer, eu prefiro sentir de olhos fechados do que ver e não sentir, sou movida por desafios, nem que isso faça com que eu me jogue com tudo de algum lugar bem alto se você me der um bom motivo pra isso; e amor pra mim é alguém que te deixa doente, não uma história que pode ter final feliz na última página de um livro.
Detesto ser limitada ou quando alguém coloca uma limitação na minha frente. Acho que esse mês foi um apanhado tão grande de coisas que eu já ouvi e queria contrariar que nossa, só de ouvir tantas vozes indo embora da minha cabeça e escorrendo direto pro ralo me faz respirar melhor.

Um "não pode" me motiva mais do que um "você consegue". Ser do avesso é uma droga, mas me faz chegar aonde eu quero.
Por que eu estou falando isso? Porque esse mês peguei quatro aviões sozinha, fiquei longe de casa ainda sem minhas medicações e sobrevivi. Pode parecer algo extremamente besta, mas vocês pensem no que é ficar 24h com um liquidificador ligado perto do ouvido de vocês. Minha cabeça funciona desse jeito, com remédio. Sem remédio, além do barulho infernal, eu fico tonta e ainda choro por nada.
Mas enfim. Conheci pessoas incríveis, só pra constar. Acho que eu nem precisava constar isso, na verdade, mas eu sou extremamente grata a tudo de ruim que me aconteceu porque tudo isso me fez chegar até aqui.

Vou guardar comigo todos os momentos que cada um conseguiu silenciar minha cabeça. Cada abraço, cada calor, cheiro, cada tudo que é ver vocês ao vivo, não só perturbar por uma janela, seja no celular, computador ou wtv. Muitas vezes a distância não me importa e eu fico satisfeita com essas letras no meu teclado. Mas dessa vez eu realmente admito: vale mais ver vocês. Ter vocês perto. Vale demais.
Espero que eu possa encher o saco de todos por bastante tempo ainda. Nem que seja com ideias ridículas ou fazendo vocês perderem o sono. No final do dia, eu sou tão problemática, mas eu fico extremamente feliz de ver que vocês gostam de mim mesmo eu sendo assim. Demorei 21 anos pra acertar, e em uma semana eu literalmente fiz tudo o que eu cogitei fazer em um ano todo. Zeraram todo o meu jogo.

Até gente mesmo de fora do Brasil que meteu um selo no meio da minha testa. Recebi um dos melhores presentes de natal até o meu aniversário e ainda consegui cumprir com minha palavra sem nem ter certeza direito do que eu estava fazendo. Eu sou teimosa demais, quando eu quero, eu grito tanto "foda-se" na minha cabeça que me perco de mim mesma e tenho que começar tudo do zero, de novo e de novo.
E sabe? Eu não vou me limitar, jamais. Eu não sei o dia de amanhã. Meu pai tem a mania negativa de dizer: "não sei nem se vou sobreviver ao dia de hoje, quanto mais ao dia de amanhã". Acho que isso me fez pensar por quase dez anos inteiros da minha vida. E sinceramente, não é o medo do amanhã que vai me fazer parar o dia de hoje. Se eu quiser algo, falar algo, sentir algo, qualquer coisa algo, não vou me privar e nem ter medo.

Me recuso. E sinceramente? Não me arrependo. E duvido muito que eu vá me arrepender no dia de amanhã.
