
Talvez tenha sido a casa de boneca que ficou vazia, ou o aquário que ficou sem peixe, talvez tenha sido o porta-retrato que acabou ficando sem a foto ou a coleira que carregava um nome tão doce, mas teve seu momento de "ir pra gaveta".
Eu sinceramente não sei em qual momento da minha vida eu poderia dizer que eu senti esse aperto no peito que é quase tão parecido quanto aquele de quando a gente acha que se perdeu da mãe da gente quando é pequeno.
Quando eu era criança, eu não experimentava muito o "não estou bem". Era uma bateria sem fim. Fui crescendo e o medo também cresceu dentro de mim. E as situações ao em vez de passarem depois do momento "não estou bem", elas foram acumulando. De pouquinho em pouquinho. Talvez eu até melhorasse, mas sempre ficava um pedacinho da sensação ruim.
Eu não desmereço a felicidade, gosto muito dela, mas hoje não sou do tipo que levanta da cama achando que vou encontrar ela. Na verdade, eu acabei ficando meio "eu não estou bem, mas estou". Eu sei que existe um tantão de gente assim (pelo menos eu gosto de imaginar que não sou a única).
Quando você precisa aprender a conviver com um vazio que não vai embora e acaba se acumulando com outros. A gente vive, segue em frente, mas algo ficou no caminho.
Ou algo se perdeu pelo caminho. Eu fico me perguntando se meu erro foi gostar de colecionar as pedras que eu encontrei até chegar aqui, ao em vez de simplesmente passar por elas sem olhar para trás.
