Não estou bem, mas estou.


Talvez tenha sido a casa de boneca que ficou vazia, ou o aquário que ficou sem peixe, talvez tenha sido o porta-retrato que acabou ficando sem a foto ou a coleira que carregava um nome tão doce, mas teve seu momento de "ir pra gaveta".

Eu sinceramente não sei em qual momento da minha vida eu poderia dizer que eu senti esse aperto no peito que é quase tão parecido quanto aquele de quando a gente acha que se perdeu da mãe da gente quando é pequeno.

Quando eu era criança, eu não experimentava muito o "não estou bem". Era uma bateria sem fim. Fui crescendo e o medo também cresceu dentro de mim. E as situações ao em vez de passarem depois do momento "não estou bem", elas foram acumulando. De pouquinho em pouquinho. Talvez eu até melhorasse, mas sempre ficava um pedacinho da sensação ruim.

Eu não desmereço a felicidade, gosto muito dela, mas hoje não sou do tipo que levanta da cama achando que vou encontrar ela. Na verdade, eu acabei ficando meio "eu não estou bem, mas estou". Eu sei que existe um tantão de gente assim (pelo menos eu gosto de imaginar que não sou a única).

Quando você precisa aprender a conviver com um vazio que não vai embora e acaba se acumulando com outros. A gente vive, segue em frente, mas algo ficou no caminho.

Ou algo se perdeu pelo caminho. Eu fico me perguntando se meu erro foi gostar de colecionar as pedras que eu encontrei até chegar aqui, ao em vez de simplesmente passar por elas sem olhar para trás.

Uma rapidinha #1


Sabe quando você tem muita coisa para falar mas não sabe nem por onde começar? Talvez eu deveria fazer uma carta de desculpas, uma de gratidão e uma de um auto atestado de parabéns com uma estrelinha.

Abril já acabou faz 14 dias e só agora eu me dei conta que já estamos chegando na metade de maio. Normalmente começo de ano passa batido na minha vida, mas parece que aconteceu tanta coisa em tão pouco tempo. Infelizmente meu humor não anda ajudando muito.

Acho que eu deveria escrever uma carta de desculpas por ter pensando em abandonar tudo por esses dias, ainda bem que eu aprendi que não devo tomar decisões de cabeça quente. Eu não sou boa em expressar o que eu estou sentindo, então eu acabo sendo grosseira e passando dos limites. Talvez eu tenha deixado algumas pessoas desanimadas sendo que isso foi completamente errado da minha parte. Mas ter "poder" na mão me deixa meio zonza, porque eu, desde que aprendi a entender os dois lados da moeda, virei uma manteiga derretida. (Meh).

A gratidão é por todos que me fizeram chegar até aqui. Eu ainda sou universitária, e normalmente quando eu digo que faço "Letras Inglês" eu escuto muita gente gargalhar por causa disso. Eu vejo a diferença por conta da minha faculdade anterior. As pessoas deviam ter mais noção do que esse curso é, de verdade. Ser tradutora ou professora requer mais habilidades do que qualquer um pode imaginar, principalmente porque estamos lidando com palavras, e elas podem ser mais perigosas do que muitas armas. Então eu estou muito feliz por ter tirado o meu sonho do papel e feito ele virar realidade. Acho que é a primeira vez que eu vejo isso acontecer na minha vida. E é uma coisa incrível. Parece até uma utopia, trabalhar com algo que eu gosto tanto. Eu sinceramente espero que meus passos sejam firmes, e, mesmo se eu cair, que eu consiga levantar e continuar a seguir em frente. Isso é muito precioso pra mim. Principalmente quem investiu a paciência nesse projeto comigo, e acreditou em mim, principalmente.

O auto atestado de parabéns e a estrelinha seriam por estar conseguindo me controlar mais na afobação. Mesmo que ela esteja saindo em forma de água. Eu só queria declarar que uma vez ou outra eu consigo sentir um pouco de felicidade. É um pouco diferente da sensação de "meudeuslkdnasldalkndaslk" mas é uma sensação boa. Dá um quentinho no meu peito e eu sinto medo dele ir embora. Então eu tento apreciar esses pequenos momentos do meu dia quando eles aparecem. Vai dar 6AM e eu preciso deitar. Ainda estou tentando ser um ser humano, mesmo que não normal.

Enfim, essa foi a rapidinha da Ana. Ah! E eu agradeço por quem me procurou meio preocupado esses dias.

Porque eu ainda não desisti.


Todos os dias que eu acordo, não irei mentir, penso em desistir. E por que ainda não? Por que ainda de pé?

Eu acredito no impossível. Eu gosto de realizar sonhos. Eu não fico mais tão feliz quanto antigamente, admito. Mas eu ainda sinto, de uma forma diferente, mas sinto.

Não quero deixar aquela menininha descabelada, rindo no parquinho, correndo na areia, desapontada com o futuro dela. Porque eu sei que mesmo quando o maior medo dela era a profundidade do mar, ela não deixava de se molhar. Ela não deixava de arriscar.

Ela não viveu tudo isso para anos depois olhar para si mesma desistindo. Tomar remédios todos os dias é complicado, ser emocionalmente instável é uma droga, ter pensamentos ruins é o fim do mundo tem dias e sair da cama um inferno.

Depressão ou não. Ansiedade ou não. Viva eu estou. Não vou desistir por vontades que eu encontro aqui dentro. Eu sou mais forte, preciso ser. Uma hora eu vou, pra que adiantar? Não precisa. Até lá eu tento fazer o meu melhor, sofrendo, perdendo, rindo ou ganhando.

Para todos os dias ruins e para todos que ainda assim gostam de mim, desejo flores. Mas de verdade, sabe? Bonitas e com espinhos. Não acho justo desejar pela metade. Eu desejo sorte e azar. Amor e indiferença. Infantilidade e maturidade. Ninguém é feito sem dualidades, muito menos eu.

Se algum dia você pensar em desistir, lembre-se da criança que tem os olhos em você, esperando pelo melhor.

Uma dança.

Para cada dor, 
Uma flor
Para falta de esperança,
Uma dança
Para cada pensamento negativo,  
Um livro
Para cada machucado,
Um desejo
Para cada desespero,
Um novo apego
Para cada inflamação, 
Uma inspiração
E para cada medo,
Um beijo


Em todas as partes do seu rosto,
Levando tudo embora


Tudo passageiro
Sem volta