Alma claustrofóbica, suicida.


Era carniça, fedia, estava podre. Rolava os olhos de três em três segundos, sentia o próprio corpo tremer como se a sua própria alma estivesse gritando, com vontade de sair daquele corpo. Sentia a garganta arder, sobia o vômito, sobia tudo o que tinha colocado para dentro. Não tinha mais espaço, suas vísceras já ocupavam espaço o suficiente. Apertava os punhos sujos com força, sentindo o chão frio por entre os dedos dos pés. Enxergava embaçado, deturpado, não via mais o que os outros viam. Ouvia vozes, muitas, eram crianças cantando cirandas dentro de sua própria mente. Os nervos já não respondiam mais, tremia as pernas e sentia a última agulha penetrar sua pele.

Era o fim; fim.

Mentiras de agosto (Baseado em fatos reais).

Quem é vivo sempre aparece, não é? Talvez. Mas decidi levantar meu blog de novo (o que eu ainda estou fazendo), já que eu ando acumulando muita coisa e isso não é certo. Quem me conhece, sabe que quanto mais eu acumulo, eu acabo passando mal. E isso provavelmente não vai mudar tão cedo.


Agosto chegou da pior maneira possível. Meu julho foi incrível, mas logo no primeiro dia de agosto, eu me encontrei ajoelhada no meio de papelotes, em uma rua que não conheço, no meio da madrugada, tentando respirar. Porque eu simplesmente não podia acreditar no que diabos estava acontecendo. Porque eu simplesmente NÃO podia acreditar no quão lixo algumas pessoas são. Porque eu tive que bater palmas e dizer: parabéns, você conseguiu se livrar de qualquer resquício de caráter que você devia ter. What a shame.

Porque as pessoas não se importam com o que podem causar nas outras, ou aliás, elas ficam tão cegas por atenção e se deixam levar por situações muito mal explicadas, que acabam deixando de ser humanas mesmo. E é engraçado ver como as pessoas sentem certo prazer de causar constrangimento nas outras também. Tudo isso porque elas querem buscar algo surreal, que na cabeça delas,vai preencher o vazio que habita nelas. E é triste pensar que isso não vai funcionar, não é? Pena que pessoas assim só olham para o próprio umbigo.


Sinceramente? Eu já não me importo mais. Eu não preciso e nunca precisei prejudicar ninguém para alcançar meus objetivos e ter sucesso na minha vida profissional, e isso, com toda certeza, é uma das coisas da qual eu mais me orgulho.

Acho que com o tempo, a gente realmente acumula mais dores que amores, mais tristeza que beleza e mais infelicidade que bondade. Mas eu bato o meu pé no chão, porque eu sei quem eu sou e não é ninguém que chegou ontem na minha vida que vai tentar desenhar um quadro ridículo sobre qualquer característica que eu tenha ou deixe de ter.

Se eu tiver que pagar por erros meus, eu vou pagar, com toda boa vontade do mundo, mas eu espero que as pessoas não esqueçam que karma existe, assim como profissionalismo. Um dia você é o caçador, no outro se torna a caça. O mundo da voltas. E enquanto isso, me encho de orgulho da minha equipe e encho a boca sim na hora de bater no meu peito pra dizer que eu consegui.


Incomoda quando eu falo disso? Who cares? Eu tive que pisar em muitos cacos de vidro nessa estrada tortuosa até chegar no começo do meu sucesso. E eu me orgulho demais disso, porque de tantas vezes que eu quis desistir de tudo, eu disse para mim mesma que cada machucado valeria a pena. E agora eu estou aqui, de pé, ainda cuidando de todas as minhas cicatrizes, mas estou. Eu consegui.

Se isso incomoda alguém, vocês podem me errar. A porta para sair da minha vida é serventia da casa, principalmente para pessoas que só aceitam um lado da história. Porque é sempre bom lembrar que uma história tem sempre três lados: o meu, o seu e a verdade. E o bom disso tudo, é que a verdade uma hora chega, e eu vou ficar assistindo de longe, porque na real, não desejo nada de ruim para ninguém. Eu quero é paz de espírito.


E é isso, volto ao Carta para desabafar, porque quanto mais eu conheço pessoas, mais eu gosto da minha própria solidão.