Assoprei 23 velas - e foi amargo.

Imagem de balloons, party, and silver

Eu cheguei a conclusão de que eu preciso falar, mesmo que não saia muita coisa hoje, mas eu preciso. Ando ignorando tudo que eu ando sentindo. E não digo minha ansiedade e tudo isso, eu digo meus sentimentos mesmo.

Eu estou triste, e eu descreveria esse triste como a cor azul. Mas um azul escuro, aquele que é tão escuro quanto o céu da noite, mas você ainda consegue ver o tom de azul, tão bonito. Pena que a minha tristeza não é bonita, assim como nenhuma outra.

E eu queria dizer que às vezes eu acho que eu estou me humilhando por dizer que eu me sinto triste. Ok, não é às vezes, é sempre. Eu constantemente calo minha mente quando esse pensamento surge. "Ei, Ana, você não tá legal, né." A gente ignora a finge que não tem nada acontecendo. Comentei isso uma vez em voz alta com a minha mãe, e ela me disse assim:

"Ah, filha, mas isso é porque você virou adulta, cheia de responsabilidades. É a vida."

Eu não queria ser assim não. Eu aprendi a ignorar meus sentimentos por causa da depressão, para ser sincera, e não por causa das minhas responsabilidades. Você fica com tanto medo de sentir qualquer coisa, que meio que sufoca tudo dentro de você, antes mesmo de sentir.

Ou você sufoca os seus sentimentos, ou eles sufocam você. Foi o que eu aprendi com a depressão.

Imagem de art, eye, and grunge

Passei meu aniversário inteiro pensando na possibilidade de passar os próximos dez ainda dessa forma. Não tem como negar, essas doenças acabam deixando sequelas enormes na gente, e elas andam tão visíveis em mim que é como se meu corpo inteiro estivesse marcado de caneta vermelha.

Eu tenho muito medo do que eu tenho dentro da minha cabeça, eu prefiro que o leão que eu guardo na minha gaiola fique lá, do que seja solto e domado. Porque até você domar a besta, você vai se machucar muito. E infelizmente, eu morro de medo de me machucar.

Talvez no meu próximo aniversário, antes de assoprar as velas, eu deseje ter mais coragem. Por enquanto, eu sopro as minhas 23 velas e desejo dormir bem, porque eu ando precisando de paz e talvez de algumas lágrimas para acalmar o dia que foi ruim.

registro de um saldo positivo -


Eu queria fazer essa atualização aqui sobre como eu estou. Porque eu acho importante fazer esses registros quando se tem uma doença assim, porque você costuma ficar meio perdida no tempo de como você já esteve, se as coisas pioraram de alguma forma ou melhoraram. É importante. Então é isso, vamos a um registro, porque no final do ano passado eu mudei de médica pela quinquagésima vez e cá estamos.

E se tem uma coisa que acabou comigo, foi ter parado nas mãos de médicos tão tresloucados e desatualizados enquanto eu ainda estava muito doente e sem saber o que eu tinha que fazer da minha vida antes de achar a certa.

Foram quase seis anos tomando Rivotril todas as noites para dormir, sentindo as crises de pânico subindo, nada melhorando e eu até mesmo já tinha desistido de sair daquela nuvem cinzenta. E a maior consequência disso, com toda certeza, foi minha memória. Pra quem não sabe, e eu fiquei sabendo já depois de muito fodida, o Rivotril não deve ser usado nesse tanto tempo e dessa forma.


Claro que existem casos e casos, mas no meu, o Rivotril serviu, dentro de todos esses anos, para acabar com minha memória. Sério, tem coisas que eu nem lembro mais, estou com buracos negros na cabeça por causa desse remédio. Eu literalmente esqueci muita coisa, tem horas que eu fico encarando o nada tentando lembrar de coisas que me falam e não me aparece nada. O remédio é ótimo para acabar com momentos de pânico, com certeza, mas usado por muito tempo, ele acaba com sua memória também, de brinde.

Então é aquela história, vá em 500 médicos e procure pessoas que dividem experiências com medicações assim. E ainda bem que as pessoas hoje em dia estão se abrindo mais em mais.

Atualmente, tomando dois remédios diferentes faz uns 4 meses, e tem dias que eu me assusto com o quão bem eu estou. Foram tantos anos andando com o formigamento por causa da minha ansiedade, que ficar sem ele chega ser meio maluco. Parece que não faz sentido eu estar bem. Mas eu estou, pelo menos em 80%.

Acho que a única coisa que me resta ainda é ficar tonta em lugares fechados, com muitas pessoas. Nem sempre acontece, mas ainda acontece. Eu não tratei propriamente minha agorafobia, eu tenho plena noção disso, e sei que ela não é uma fera domada. Por isso ela ainda ataca, e ataca bastante.

No mais, é isso. O saldo está mais positivo do que negativo, e eu queria que isso tivesse acontecido faz muito tempo, mas eu estou satisfeita de qualquer forma.


Foi só uma atualização mesmo, eu tô acordada de insônia, vendo besteira na internet, pensando em responsabilidade de quem põe comida dentro de casa.  Registro feito. Esses dias ainda vou voltar para falar da minha experiência com as duas novas medicações mesmo, com nomes e tudo certinho. 

Lago escuro.


Joguei a pedra naquele lago escuro, parado, quase morto. A pedra era meu objetivo para fazer alguma mudança. Eu queria movimento. Eu queria acordar o pouco de vida que ali restava. Esperando que um susto fizesse diferença na própria indiferença. Aquela indiferença do lago refletia todos os dias em meus olhos cansados. 

Aquele lago representava minha alma, e depois de jogar a pedra no ar, eu percebi como uma idiota que é necessário morrer. É necessário morrer para renascer. 

Eu poderia jogar todas as pedras possíveis que nada mudaria. Só o tempo pode salvar aquele lago.

Então eu abri mão das pedras e entreguei minhas águas ao tempo.

Não importa.

Não importa o quanto eu me arrependa, eu jamais vou parar de criar expectativas. E adoro esperar o melhor de tudo, e sempre achar que o meu caminho pode ser longo, mas que no final, tudo valerá a pena. Não importa o quanto eu quebre a cara, eu nunca vou deixar de tentar, jamais. Desistir não é comigo. Nunca foi e nunca vai ser. Também não importa o quanto eu me machuque, eu nunca vou deixar de confiar nas pessoas e até mesmo de amá-las, porque a vida é curta demais pra gente não tomar nosso sorvete favorito, assim como ficar em abraços demorados.


Acredito que não vai fazer muito sentido o que eu vou dizer, aliás, eu sempre acho que eu não faço sentido nenhum. Mas pensar em escrever, ou até mesmo escrever, anda me deixando muito para baixo. Acho que por isso eu parei de novo de vir aqui. Eu sei que eu sempre volto, mas mesmo assim, dessa vez foi muito estranho. Eu só queria deixar registrado aqui que estou experimentando meu quarto antidepressivo. Pristiq, o nome, além de também estar tomando um segundo remédio, o Donaren. Acho que o saldo é positivo, pelo menos por agora. Sei lá. Eu espero que eu consiga parar no quarto.

E eu não me sinto mal por já ter passado por três remédios e eles não terem funcionado. É aquela história, cada um é cada um, não tem como a gente padronizar um remédio assim, cada corpo sente de um jeito, cada mente tem seus fantasmas, nada é igual. Por isso que é sempre demorado chegar no remédio ideal.

E é isso, tô levando a vida pra frente.