Mudanças.


Ficar doente é definitivamente uma coisa assustadora. É mais assustadora ainda quando alguém não consegue compreender o fato de que você está doente.

Sabe? Não deveria ser complicado. Se você se machuca, eles entendem, se você gripa, eles entendem, se você tem uma droga de um câncer, eles entendem. Agora, se é psicológico, não, jamais. "Vamos parar com isso, seja menos ansiosa e depressiva."

Gente, quanto mais o tempo passa, mais eu jurava que as pessoas se tornariam mais compreensivas. Mas eu me surpreendo todos os dias, e não é de uma forma boa. Isso que você sente, se está dificultando sua vida, se está impedindo você de viver, sair da cama, deixando você simplesmente só na casca, então você está doente. E o mundo deveria compreender isso. Eu mereço completo respeito e compreensão. Assim como todo mundo merece. Eu fico tão frustrada e com tanta raiva, que eu simplesmente choro. De decepção. Eu não mereço viver com isso. Isso não sou eu. Não sou.

Mudança também é uma coisa que me assusta muito. Ultimamente, eu ando sentindo muita falta das minhas crises de pânico. Porque na minha cabeça, às vezes a ideia de ter crises é melhor que viver com a sensação de uma bomba dentro de mim que fica apitando como se fosse explodir, mas não explode.

E eu simplesmente não consigo aceitar a droga de um novo médico. Eu queria ser menos desapegada. Mas, mesmo depois de um ano e meio, desde a morte da minha psiquiatra, eu não consigo me sentir bem em nenhum outro consultório. Sabe aquele momento na vida que você literalmente se vê perdida? Eu estou exatamente nesse momento.

Eu sei que precisamos nos perder, para podermos nos encontrar. Mas é tudo tão dolorido. E eu estou muito cansada. Minha vida tem pontos muitos bons, sabe? Vários. Incontáveis. Mas o lado ruim é quase que um ímã. Eu não consigo me distanciar dele. E quanto mais eu tento, mais próxima eu chego, nesse abismo sem fim.

A Pele Arde

O calor não é convidativo
Ele vem de dentro
Sem ser convidado
Espalha desconforto por um todo
A pele arde
O ar é quente
Os pulmões queimam
E o que ainda resta
São as lágrimas, em fogo


Faz quase um mês, ou dois, que a minha neurose com meu peso voltou de forma bizarra. Eu me sinto um disco quebrado por falar, pensar e deixar isso me afetar toda hora.

E eu não quero colocar a culpa em ninguém. Porque não é, é minha cabeça, ela é programada pra achar que minha imagem no espelho está deformada. Ela é a protagonista da minha própria história de terror.

Mas eu queria que as pessoas parassem de fazer comentários idiotas. Eu não gostava de mim mesma quando estava pesando na casa dos 40kg, nem na casa dos 50kg e nem na casa dos 60kg. A brincadeira aqui é séria. Se você não tem nada de gentil para falar, então não fala, sabe? O problema está longe de ser a droga da balança.


As pessoas são estúpidas em um nível tão bizarro tem horas. Eu fico sem forças. Eu já luto contra mim mesma 24h/7d. Imagina lutar contra as pessoas de quem eu espero apoio?

O que mais dói nessa história toda é sentir que eu realmente estou errada em tentar me aceitar, que eu preciso me adequar. Preciso e preciso. Toda hora é o mesmo comentário feito de várias maneiras diferentes.

Cara, deixa meu corpo em paz. DEIXA MEU CORPO EM PAZ. ME DEIXA EM PAZ. EU JÁ TENHO DEMAIS NA MINHA CABEÇA. CARALHO. 


SÓ ME DEIXA EM PAZ.

Obrigada.