
Ficar doente é definitivamente uma coisa assustadora. É mais assustadora ainda quando alguém não consegue compreender o fato de que você está doente.
Sabe? Não deveria ser complicado. Se você se machuca, eles entendem, se você gripa, eles entendem, se você tem uma droga de um câncer, eles entendem. Agora, se é psicológico, não, jamais. "Vamos parar com isso, seja menos ansiosa e depressiva."
Gente, quanto mais o tempo passa, mais eu jurava que as pessoas se tornariam mais compreensivas. Mas eu me surpreendo todos os dias, e não é de uma forma boa. Isso que você sente, se está dificultando sua vida, se está impedindo você de viver, sair da cama, deixando você simplesmente só na casca, então você está doente. E o mundo deveria compreender isso. Eu mereço completo respeito e compreensão. Assim como todo mundo merece. Eu fico tão frustrada e com tanta raiva, que eu simplesmente choro. De decepção. Eu não mereço viver com isso. Isso não sou eu. Não sou.
Mudança também é uma coisa que me assusta muito. Ultimamente, eu ando sentindo muita falta das minhas crises de pânico. Porque na minha cabeça, às vezes a ideia de ter crises é melhor que viver com a sensação de uma bomba dentro de mim que fica apitando como se fosse explodir, mas não explode.
E eu simplesmente não consigo aceitar a droga de um novo médico. Eu queria ser menos desapegada. Mas, mesmo depois de um ano e meio, desde a morte da minha psiquiatra, eu não consigo me sentir bem em nenhum outro consultório. Sabe aquele momento na vida que você literalmente se vê perdida? Eu estou exatamente nesse momento.
Eu sei que precisamos nos perder, para podermos nos encontrar. Mas é tudo tão dolorido. E eu estou muito cansada. Minha vida tem pontos muitos bons, sabe? Vários. Incontáveis. Mas o lado ruim é quase que um ímã. Eu não consigo me distanciar dele. E quanto mais eu tento, mais próxima eu chego, nesse abismo sem fim.



