[Viajando nos números]

Dos meus 14 até os meus 21.


[2007] E em como todo fim de ano, minha paciência está uma desgraça, meu humor nada bom, minha gentileza suja, minha força de vontade nula e o meu amor por algumas coisas ainda mais forte.

[2007] Pelo menos eu sei, que tudo passa. Querendo ou não, passa. Eu só não sou uma pessoa de muita paciência para sentar e esperar.

[2007] e quem se atreve a dizer
do quanto se paga com a pele
ao arriscar?

[2007] jurou que não ia mais
jurou nunca mais
mas descobriu, que jurar,
não adiantava.
fechou os olhos e se perdeu.

[2008] Saudade de sair correndo pra areia da praia, saudade de lutinhas alheias, saudade de vozes, saudade de sentimentos. Saudade de músicas, saudade de histórias perdidas em arquivos esquecidos. Saudade de viagens, saudade de épocas, saudade de desenhos, saudade de sonhos, saudade de promessas. Saudade de jogos, saudade de amores, saudade de madrugadas, saudade de implicâncias. Saudade da segurança, saudade da positividade, saudade do valor. Saudade do tio, saudade da tia, saudade das avós, saudade dele e dela. Saudade do colégio, saudade do respeito, saudade da consideração, saudade da inocência, saudade da cor. Saudades suas, saudades minhas... Eternas saudades.

[2008] - talvez eu me divirta vendo como as coisas mudam.
- por que talvez?

[2009] Estou meio doente, acho que doente de alma. Não sei como vim parar aqui e como deixei as pessoas subirem em cima de mim. Lá fora tá chovendo; e eu queria contar pra chuva como ela é inútil nesses tempos e que não espanta o calor que consome a pele da gente, que faz arder, queimar, quase faz ferida de dor. Pra minha doença não tem cura e não tem salvação, falo sobre ela porque assim me sinto melhor, falar alivia, faz a gente se sentir menos carente, mesmo que falemos a esmo, pro vento, sem retorno, só por solidão. Mas ainda assim estou meio doente, doente de gente, doente de tudo, doente de nada. Sem salvação, sem cura. É. E lá fora tá chovendo.

[2009] Mas é isso, é mais um ano, mais meses, mais semanas e mais dias. A mesma coisa de sempre, e vai ser sempre assim. E cara, essa repetição toda cansa. Não é pra menos que existe tanta gente que desiste de viver.

[2010] Ainda na minha cabeça, eu ando inventando tanta coisa sozinha. Penso, penso, penso. Não dá vontade de fazer mais absolutamente nada, só pensar. O que é ruim, mamãe sempre me disse que a gente não pode pensar muito, se não ficamos aprisionados ali, sabe? É aquela história de transformar nossos sonhos em fuga. Algo que eu realmente faço até demais.

[2011] Eu não sinto absolutamente nada, ou sinto tudo de uma vez só, sinto, não sinto, sinto, não sinto.

[2011] - Se você pudesse ser qualquer coisa, o que você gostaria de ser?
- Um livro... Com um final feliz.

[2012] Hoje eu comemoro um ano de que tenho depressão, de que minha vida virou do avesso e eu perdi tantas coisas das quais eu era composta. Mas eu também comemoro estar viva, comemoro conseguir sorrir de novo e continuar seguindo em frente.

[2013] Do que adianta acender as luzes
Se você não abre os seus olhos?

[2014] Eu queria que existisse um anestésico para sentimentos. Minha vida seria tão mais fácil.

Eu só queria espetar meu dedo em uma roca e dormir eternamente.


Muita coisa tem passado pela minha cabeça esses dias. Eu começo a escrever e sempre acabo desistindo. Aliás, isso é basicamente o que anda acontecendo comigo. Parece que eu perdi a vontade de tentar. Desisti.

Aquela coisa de "e o sentimento que você achou que tinha esquecido" realmente existe. Basicamente tudo o que aconteceu comigo no princípio, está voltando.

Minha vontade de fazer tudo virou zero. Estou andando, dormindo, comendo e vivendo no automático. Dessa vez não tenho colo de mãe, de família e muito menos de pai. Eu só tenho minha cama, que eu nem uso para dormir.

Meu pai conseguiu destruir o último pedaço de consideração que eu tinha com ele, levando junto a família e o emocional da minha mãe. Eu estou cada vez mais refém da minha própria casa.

Meu distúrbio alimentar deu uma volta de 360º. Eu não como um dia, como muito no outro e com esse ciclo bizarro eu acabei ganhando quase todo o peso que eu tinha perdido. Tudo bem que eu não tinha perdido de forma saudável, mas é algo que me incomoda. Eu não estou sabendo lidar com meu próprio corpo, mesmo depois de tudo que eu passei. E eu jurando que sair vomitando sem parar seria meu pior problema. Agora eu fui parar do outro lado da moeda do problema.

Meu mundo tá bem Mad. Quase que no sentido de que os melhores sonhos que eu ando tendo são os que eu morro. Porque de verdade, eu estou em uma maratona absurda de pesadelos. Não importa como eu durma, minha cabeça está tão perturbada que nem acordar dos pesadelos eu acordo sozinha. Meu despertador está regulando todos os meus suspiros de alívio.

Eu não estou conseguindo demonstrar ou sentir emoções direito. O que antes fazia de mim melosa demais, decidiu virar do avesso.

Tem tanta coisa me assustando desde que eu fiz 21 anos. Esse mês ainda tenho psiquiatra novo.

Eu não faço nem ideia do que falar com ele, para ser sincera. E olha que normalmente eu reclamo mas sempre sei organizar tudo que aconteceu. Mas ele não é a psiquiatra que cuidou de mim desde o início e que agora está em um lugar melhor. É só alguém diferente que vai interpretar minha história de outro jeito, sem os olhos que acompanharam todos os meus tropeços.

Então realmente parece que eu estou começando tudo de novo. Do zero. Aquela vontade de não viver, que eu achei que tivesse ido embora. Antes fosse medo. Mas não. É realmente uma vontade de só sentar no canto e respirar.

Meu coração adoeceu de novo. E mais uma vez, eu não sei o que fazer. Nem chorar eu consigo. Só fica essa raiva de mim mesma pairando no ar.

E realmente, o pior de qualquer situação é quando sua própria pele não conforta você. Acho que nem arrancando toda e sentindo a piore das dores iria chegar perto dessa sensação ruim instalada.

Deu erro de novo. 2015 vai ser um ano complicado.