
Mas o que era mais um minuto dentro dessa agonia intensa que não me deixa pensar? 60 segundos. Eu continuava esperando pelo nascer do sol todos os dias na minha janela, esperando meu dia acabar, enquanto os outros começavam. 50 Segundos. Quantos erros eu tinha feito até conseguir acertar o alvo certo? E qual era mesmo o alvo? Nem isso mesmo eu conseguia me lembrar mais, já fazia muito tempo. 40 segundos. Tomar decisões baseadas em emoções são quase que como tomar não baseadas, ou você é visto como muito sensível ou indiferente. Qual a diferença? 30 segundos. O caroço no meu pescoço continuava crescendo e as lágrimas rolando, cada vez mais. Não fazia parte de mim querer ser vista daquela forma. 20 segundos. Meu coração ainda bate no meu peito todos os dias atrás de uma alegria, mesmo que infundada, mesmo que eu não consiga encontrar, ele ainda bate, procurando sem fim por algo para se apegar. 10 segundos. O final, aquele momento que a gente encerra uma discussão, cerrando os olhos, sentindo o amargo na boca e o arrependimento de ter começado qualquer coisa sem razão. Mais nenhum segundo.
Acontece que o tempo é uma coisa muito mesquinha, ele não espera por você e nem por ninguém, seus sentimentos são misturados de formas absurdas em apenas um minuto, assim como os seus pensamentos. O cansaço não faz o tempo diminuir ou parar. O amor não faz o tempo aumentar. A tristeza não faz o tempo ser mais rápido. Nada muda o tempo. O tempo é imutável. Eu também gostaria de ser imutável, mas todos os dias que eu acordo, eu encontro uma pessoa diferente me esperando.
É isso que um minuto significa?

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