
Queria pintar um retrato seu, mas meus dedos trêmulos não deixaram. Queria visitar aquele lugar especial, mas o relógio teve mais pressa e eu perdi a viagem. Queria seguir pegadas na areia, mas durante o caminho elas foram apagas pelas ondas do mar. Queria ouvir os passarinhos cantando no céu azul, mas a chuva espantou todos. Queria ser outra pessoa, mas acordei e era a mesma no espelho.
Fiquei querendo o querer e não consegui.
Coloquei os dedos trêmulos dentro dos bolsos da calça, talvez fosse melhor ter só sua lembrança. Joguei o relógio fora, ele só servia para ditar minha vida, não queria mais. Esqueci as pegadas e decidi fazer as minhas próprias. Eu também podia, não podia? Eu não ouvi os passarinhos, mas o barulho da chuva acalmou meu coração solto e desesperado. E o espelho? Eu apenas tive que entender que ia ser assim. Eu era assim. Ser outro alguém não ia adiantar no dia de amanhã.
Suspirei.

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