O torto dos 21 anos.


Eu já perdi a conta de quantas vezes eu cai no chão em pedacinhos e tive que montar tudo de novo. E sempre uma imagem nova.

Doeu bastante e ainda dói todas as vezes. Mas a dor vira amiga. É algo seu. É como se ela fosse carente o tempo todo e você precisa mimar ela todos os dias.

Estou caminhando para os meus 21 anos. Ainda me vejo meio torta. Mas consigo ver como me recuperei de tantas coisas. Essa madrugada me assustei com um vídeo antigo meu. Eu não tinha noção do que eu tinha. Agora que eu vejo de longe, me assusto. O doente nunca realmente sabe que está doente. O reflexo no espelho diz tudo, menos isso.

A maturidade não vem com a idade, vem com as memórias e as lembranças. Principalmente com a responsabilidade. Duvido muito que eu perca meu lado criança, mas ter uma visão diferente das coisas não machuca. Ser uma jovem adulta não dói. E eu não vou negar esse "status". A única coisa que eu nego é o que vem com ele. Casar, ter filhos e deixar de ser filhinha dos pais. Não pretendo fazer isso tão cedo, mas isso não significa que eu não saiba lavar minha roupa e tomar minhas próprias decisões.

Ter 21 é o início de uma estrada torta, cheia de armadilhas, pedregulhos, perigos e aventuras. E eu quero muito ralar os meus joelhos. Aprender a ser quem eu sou e abrir espaço para o novo. Assim como aceitar os fracassos.

Deixar de ter 15 dói. Mas ter 21 anos tem seus prazeres. Bons e até mesmo obscuros. Chega de dizer não. Vamos dizer sim ao sim e deixar o mundo seguir em frente. Eu não sei o que me aguarda lá na frente, mas seja o que for, vou continuar andando.

Começar a dar adeus aos 20 e aceitar mais um. Que tudo seja possível dentro do impossível. É só isso que eu desejo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário