Ventava muito.
Manteve os olhos fechados, não queria ver a realidade. Sentia a chuva forte cair forte em seu corpo, sem dó, sem pena, sem pesar.
Estava tentando parar de pensar, apenas deixando as gotas geladas machucarem. Já estava cansada de não conseguir desligar seus pensamentos.
A chuva caia forte, já não sabia mais se ainda chorava, e se estava, a chuva não estava deixando sentir. E era exatamente isso que queria: não sentir.
Não importava onde estivesse, parecia sempre que eu estava entre quatro paredes. O corpo e o monstro que vivia dentro dele.
O pior de tudo é que aquele monstro fazia parte dela.
E se ele fosse embora, não sobraria ninguém. Afinal, qual era a culpa dele por ter ficado daquele jeito? Entendia que tudo o que ele queria era voltar a ser normal.
O problema é que ele não sabia mais o caminho de casa, então só tinha restado uma opção para ele e para ela: seguir em frente.
Então respirei fundo, a chuva estava piorando, mas estava melhorando. Talvez na vida fosse necessário isso, tempestades ao em vez de sol. Só assim as coisas faziam sentido.
E me sentia fora daquelas quatro paredes.
- Ela não está disponível hoje. Tirou o dia pra colocar curativos nos machucados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário